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Fernando Pessoa

 

Terceiro: CALMA (15-2-1934)

 

CALMA

 

Que costa é que as ondas contam
E se não pode encontrar
Por mais naus que haja no mar?
O que é que as ondas encontram
E nunca se vê surgindo?
Este som de o mar praiar
Onde é que está existindo?

 

Que costa é que as ondas contam
E se não pode encontrar
Por mais naus que haja no mar?
O que é que as ondas encontram
E nunca se vê surgindo?
Este som de o mar praiar
Onde é que está existindo?

 

 

 

 

 

 

 

 

Ilha próxima e remota,
Que nos ouvidos persiste,
Para a vista não existe.
Que nau, que armada, que frota
Pode encontrar o caminho
À praia onde o mar insiste,
Se à vista o mar é sozinho?

 

Haverá rasgões no espaço

Que dêem para outro lado,

E que, um deles encontrado,

Aqui, onde há só sargaço,

Surja uma ilha velada,

O país afortunado

Que guarda o Rei desterrado

Em sua vida encantada?

Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934 (Lisboa: Ática, 10ª ed., 1972).

 

 

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

 

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