Camilo Castelo Branco
Fernando Pessoa
José Saramago
Sttau Monteiro
Outros
Fernando Pessoa
 

 

Quinto: NEVOEIRO (10-12-1928)

 

NEVOEIRO

 

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Valete, Frates.

                  

Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934 (Lisboa: Ática, 10ª ed., 1972).

 

 

 

 

 

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

 

Voltar

  Início da página

 

© Joaquim Matias  2008/2013

 

 

 

 Páginas visitadas