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MENSAGEM


       
Mensagem foi o único livro organizado e publicado, em vida, por Fernando Pessoa, com o qual ganhou, aliás, um segundo prémio. É uma compilação de poemas escritos entre 1913 e 1934.

 

Inicialmente, Pessoa pensou dar-lhe o título de Portugal, mas acabou por atribuir-lhe o nome de Mensagem porque este nome estava mais de acordo com o propósito do livro, enunciado sobretudo na terceira parte do mesmo: transmitir uma mensagem de esperança aos Portugueses, no sentido de estes lutarem pela regeneração da pátria.

 

Estudos para o título da obra

 

 É bem elucidativa, a este respeito, a saudação rosacruciana com que termina a obra – “Valete, Frates!”, ou seja, “Ide (Força, Lutai), Irmãos!”

 

O desejo de Fernando Pessoa de escrever uma obra épica manifestou-se desde muito cedo. Talvez influenciado por correntes messiânicas e saudosistas e pelo seu espírito megalómano que o levou a ver-se como um super-Camões, uma espécie de profeta de um novo império (o Quinto Império Português), Pessoa, já em Setembro de 1912 (tinha ele 24 anos) escrevia na revista A Águia: “E a nossa grande Raça partirá em busca de uma Índia nova, que não existe no espaço, em naus que são construídas “daquilo de que os sonhos são feitos”. E o seu verdadeiro e supremo destino, de que a obra dos navegadores foi o obscuro e carnal antearremedo, realizar-se-á divinamente.” Nesta frase tornam-se já bem evidentes algumas ideias que serão, depois, desenvolvidas na Mensagem: a sobrevalorização do povo português, um povo predestinado para grandes efeitos, a importância do sonho (mito) para se conseguir alcançar aquilo que se deseja e a origem espiritual, divina, do novo império. O outro, aquele que resultou dos descobrimentos, não passou de uma imitação pouco fiel daquilo que será o Quinto Império Português. E porquê? Tão-só porque foi construído sobre valores materiais, vindo a desmoronar-se.

 

Veja ainda:

 

* A divisão tripartida da Mensagem:

            - 1.ª parte

            - 2.ª parte

            - 3.ª parte

* A Mensagem e o simbolismo esotérico

 

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© Joaquim Matias  2009

 

 

 

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