Camilo Castelo Branco
Fernando Pessoa
José Saramago
Sttau Monteiro
Outros
José Saramago
 

MEMORIAL DO CONVENTO - Crítica

 

Memorial do Convento apresenta-se desde logo como uma crítica cheia de ironia e sarcasmo à opulência do Rei e de alguns nobres, por oposição à extrema pobreza do povo. José Saramago apresenta uma caricatura da sociedade portuguesa da época de D. João V, revelando-se antimonárquico e com um humanismo fechado à transcendência, bastante angustiado e pessimista. Nas questões religiosas, não só usa a ironia, como também se revela frontal nas apreciações à Inquisição e aos santos a ela ligados como S. Domingos e Santo Inácio.

 

Objecto de uma sátira cáustica são também:

 

* Os frades e as freiras devassos, com referência especial para a madre Paula de Odivelas, a amante predilecta do rei;

* O adultério e a corrupção dos costumes;

* Os nobres, que vivem no fausto e na ostentação;

* Os príncipes, como D. Francisco, que se entretém a “espingardear” os marinheiros ou a assediar a cunhada;

* O rei, por obrigar todo o homem válido a trabalhar no convento;

* As pessoas que dançam em volta das fogueiras nos autos-de-fé, onde se queimam os condenados, ou que sadicamente assistem às touradas e às autoflagelações, nas procissões.

 

Por isso, Memorial do Convento ultrapassa o conceito de romance histórico para se constituir como um texto que problematiza a História e que, metaforicamente, procura transmitir uma visão do mundo do século XX. Quando, como leitores, assistimos ao desvario megalómano do rei e ao imenso sofrimento do povo, somos induzidos a fazer inevitáveis comparações com situações de injustiças dos nossos dias.

 

Joaquim Matias da Silva


Início da página                                             Ver bibliografia consultada.

 

© Joaquim Matias 2008

 

 

 

 Páginas visitadas