As três
grandes linhas temáticas que estruturam a acção
do romance
Em Memorial do Convento
a História é "recriada", pela interacção de
personagens reais e fictícias. Assim, podemos
afirmar que existem três grandes linhas
temáticas que estruturam a acção do romance:
• A
construção do Convento de Mafra,
consequência de uma promessa feita pelo rei D.
João V aos frades franciscanos sem cuja
intercessão "divina" não poderia ter herdeiros.
Este acontecimento estruturante é pretexto para
o escritor denunciar os comportamentos e
decisões dos poderosos, que provocam o
sacrifício e a morte de muitos cidadãos
obrigados a participar num projecto que lhes é
alheio, mas de que são autores materiais –
símbolo do desejo de poder;
• O
amor entre Baltasar e Blimunda,
o par escolhido por Saramago para representar o
povo anónimo; a sua vida e o seu trabalho diário
constituem também a história quotidiana de um
país; o seu esforço, aliado aos poderes
extraordinários de Blimunda, permitirão ao padre
Bartolomeu de Gusmão a concretização do seu
sonho – a capacidade de sobrevivência;
• A
construção da passarola,
símbolo do desejo ancestral do homem de voar,
converte-se na confirmação de que o esforço e a
vontade humanos tudo conseguem (são as vontades
dos homens aprisionadas por Blimunda que
constituem a energia que fará subir a passarola)
– vaidade científica personificada no padre
Bartolomeu.
As três linhas de acção
(edificação do convento, amores de Baltasar e
Blimunda e construção da passarola) seguem
linear e paralelamente ao longo do romance,
organizando as várias sequências narrativas,
coincidentes com a estrutura externa (25
capítulos), como pode
ser comprovado no esquema que se apresenta no
menu "sequências narrativas".