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MEMORIAL DO CONVENTO - PERSONAGENS

 

PADRE BARTOLOMEU LOURENÇO DE GUSMÃO

 

O padre Bartolomeu, personagem real da História, forma com Baltasar e Blimunda o núcleo mágico e trágico do romance. Vive com uma obsessão: construir a máquina de voar, o que o leva a encetar uma investigação científica na Holanda.

 

Representa as novas ideias que causavam estranheza na inculta sociedade portuguesa. Estrangeirado, homem curioso e grande orador sacro (a sua fama aproxima-o do Pe. António Vieira), deixa transparecer, na obra, uma profunda crise de fé a que as leituras diversificadas e a postura “antidogmática” não serão alheias, numa busca incessante de saber.

 

Efectivamente, como cientista que é, ignora os fanatismos religiosos da época e questiona todos os princípios dogmáticos da Igreja.

 

O seu sonho de voar e as suas inabaláveis certezas científicas revelam orgulho, "ambição de elevar-se um dia no ar, onde até agora só subiram Cristo, a Virgem e alguns santos eleitos" e tornam-no persona non grata para a Inquisição que o acusa de bruxaria, obrigando-o a fugir para Espanha (morrerá “louco” em Toledo) e a deixar o seu sonho/projecto nas mãos de Baltasar.

 

A sua obsessão de voar (pejorativamente era conhecido como o “Padre Voador”) domina-o de tal forma que ele não se inibe de integrar no seu projecto um casal não abençoado pela Igreja e de aceitar e usufruir das capacidades heréticas de Blimunda, que farão a passarola voar.

 

A passarola, símbolo da concretização do sonho de um visionário, funciona de uma forma antagónica ao longo da narrativa: é ela que une Baltasar, Blimunda e o padre Bartolomeu, mas também é ela que vai acabar por separá-los.

Joaquim Matias da Silva

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© Joaquim Matias 2008

 

 

 

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