Os denominados "Meninos de
Palhavã" eram os filhos bastardos (de sexo masculino) de
D. João V (24.º rei português, de 1706-50), reconhecidos
pelo soberano em documento que firmou em 1742, mas que
só foi publicado em 1752, após a sua morte. Com efeito,
talvez por escrúpulos de consciência do rei, há um «Decreto
porque S. Majestade houve por bem declarar três filhos
ilegítimos», dado em Caldas da Rainha em 6 de Agosto
de 1742. Considera que eram filhos de «mulheres
limpas de todo sangue infecto», pelo que pedia ao
príncipe herdeiro para favorecer os irmãos. Este assim o
fez por decreto de 21 de Abril de 1752, registrado ao
livro 1º das Patentes, folio 223.
A expressão "Meninos de Palhavã"
deriva do facto de terem habitado no palácio do marquês
de Louriçal, na zona de Palhavã, na altura arredores de
Lisboa, mas que hoje se situa em plena cidade - o
edifício, conhecido como Palácio da Azambuja, é hoje a
Embaixada de Espanha em Lisboa, ou "Palácio dos Meninos
de Palhavã".
O Palácio de Palhavã.
Esses filhos bastardos do rei
receberam educação em Santa Cruz de Coimbra, sob o
preceptorado de Frei Gaspar da Encarnação, para se
fazerem religiosos.
Eram eles:
*
D. António (1704-1800),
filho de uma francesa de nome desconhecido. Doutorou-se
em Teologia e veio a ser cavaleiro da Ordem de Cristo.
*
D. Gaspar (1716-1789),
filho de uma religiosa, D. Madalena Máxima de Miranda
(Madalena Máxima da Silva Miranda Henriques). Veio a ser
arcebispo primaz de Braga.
*
D. José (1720-1801),
filho da religiosa madre Paula de Odivelas (Paula Teresa
da Silva). Exerceu o cargo de Inquisidor-mor.
Em consequência de um conflito que
tiveram com o marquês de Pombal, D. António e D. José
foram desterrados para o Buçaco, em 1760, de onde só
puderam regressar depois da morte de D. José I, em 1777.