Artista estrangeiro (nasceu em
Itália), é contratado por D. João V para
iniciar a infanta Maria Bárbara na arte musical.
O poder
curativo da sua música liberta Blimunda da sua estranha
doença, permitindo-lhe cumprir a sua tarefa ("Durante
uma semana […] o músico foi tocar duas, três horas, até
que Blimunda teve forças para levantar-se, sentava-se ao
pé do cravo, pálida ainda, rodeada de música como se
mergulhasse num profundo mar, […] Depois, a saúde voltou
depressa "- págs. 192-194). Representa, por isso, a arte
que, aliada ao sonho, permite a cura de Blimunda e
possibilita a conclusão e voo da passarola. Aliás, ele é
cúmplice silencioso do projecto da passarola.
É Scarlatti que dá a notícia a Baltasar e Blimunda da
morte do padre Bartolomeu ("Vim-te dizer, e a Baltasar,
que o padre Bartolomeu de Gusmão morreu em Toledo, que é
em Espanha, para onde tinha fugido, dizem que louco…” -
pág. 231).
A música do cravo de Scarlatti simboliza o ultrapassar,
por parte do homem, de uma materialidade excessiva, e o
atingir da plenitude da vida.
Para Maria Alzira Seixo, Bartolomeu de Gusmão, cujo
aliado é o músico Scarlatti, o único que pode de raiz
compreender as suas congeminações aladas, “representa a
possibilidade de articulação entre a cultura e o humano,
entre o saber e o sonho, entre o conhecimento e o desejo
[…]. São os caminhos da ficção os que mais
justificadamente conduzem ao encontro da verdade”.
Joaquim Matias da Silva
Saiba,
aqui,
quem foi, na verdade, Domenico Scarlatti.