Imperador dos Franceses, nascido em Ajácio (Córsega).
Estudou nas escolas militares de Brienne (1779-84) e
Paris (1784-85).
Assistiu em Paris à queda da monarquia (1792).
Distinguiu-se em Toulon (1793), tendo ascendido a
general -de-brigada e reprimido, por ordem de Barras, a
sublevação de Paris, na crise de Vendimiário (1795).
A 9 de Março de 1796, casou com Josefina de Beauharnais
e dois dias depois partiu para a frente do exército
estacionado em Itália, onde alcançou, sobre os
Austríacos, as vitórias de Lodi (10 de Maio),
Castiglione (5 de Agosto), Arcola (15 Novembro) e Rivoli
(14 de Janeiro). A campanha terminou com a Paz do Campo
Formio (17 Outubro 1797).
Autorizado pelo Directório, conquistou Malta, o Egipto e
ocupou Alexandria (2 de Julho de 1798) e venceu a
Batalha das Pirâmides (21 de Julho), apesar de ter sido
derrotado no mar por Nelson (Abukir, 1 de Agosto). No
mesmo local, venceu os Turcos, a 25 de Julho do ano
seguinte. Ao saber da perda da Itália e da
intranquilizadora situação de França, deixou a Kléber o
comando das tropas no Egipto e regressou à metrópole,
onde a Revolução do Brumário (9 de Novembro) deu lugar
ao Consulado, com Napoleào como primeiro cônsul. No
início de 1800, atravessou os Alpes, derrotou os
Austríacos em Marengo (14 de Junho) e, com a vitória de
Hohenlinden (3 de Dezembro), impôs o Tratado de
Lunéville (9 de Fevereiro de 1801). Nesse ano, assinou
uma concordata com o papa e a 27 de Março de 1802
firmava a Paz de Amiens com a
Inglaterra. A de 1 Agosto foi proclamado cônsul
vitalício.
A 02 de Dezembro de 1804, foi consagrado
imperador dos Franceses por Pio VII, na Notre
Dame de Paris. Decidido a dar o golpe final na
Inglaterra, preparou a invasão das Ilhas;
contudo, os seus planos foram desbaratados
devido à derrota de Villeneuve
em águas de Finisterra (1805).
A
França napoleónica.
Em Setembro desse ano invadiu a Alemanha. A vitória em
Ulm (20 de Outubro), abriu-lhe as portas de Viena e,
apesar de Nelson ter destruído em Trafalgar (21 de
Outubro) as frotas francesa e espanhola, desforrou-se
com a vitória sobre os Austríacos e Russos, na Batalha
de Austeriitz (2 de Dezembro). Subjugada a Áustria pelo
Tratado de Presburgo (26 de Dezembro) e a Prússia na
Batalha de lena (14 de Outubro de 1806), derrotou a
Rússia em Eylau (Fevereiro de 1807) e Friediaad (14 de
Junho), assinando o Tratado de Tilsit (7 de Julho) que
lhe dava o domínio da Europa.
A invasão de Portugal e a sublevação de Espanha - uma
das causas fundamentais da queda de Napoleão - vieram
colocar em confronto mais aberto a França e a
Inglaterra, país que o imperador pretendia arruinar com
o Bloqueio Continental. A Áustria revoltou-se de novo em
Abril de 1809, mas teve de se submeter, após as derrotas
de Aspem e Wagram, ao humilhante Tratado de Viena (14 de
Outubro). Bm 1810, divorciado de Josefina, Napoleão
casou com Maria Luísa, filha do imperador da Áustria, da
qual só teve um filho, o chamado Rei de Roma.
Em 1812, em plena Guerra de Independência Espanhola,
Napoleão invadiu a Rússia, mas a desastrosa retirada de
Moscovo levou à rebelião das outras nações subjugadas. A
união militar da Rússia com a Prússia (1813), a deserção
da Áustria e a derrota francesa em Leipzig (16-19 de
Outubro) marcaram o princípio do fim´do poder
napoleónico. O Imperador teve de abdicar a 11 de Abril
de 1814, regressando ao poder os Bourbon, com Luís
XVIII, que entrou em Paris. Após um breve período de
reclusão na Ilha de Elba, desembarcou em França (2 de
Março de 1815), dando assim começo ao reinado dos Cem
Dias. Contudo, a Batalha de Waterloo (18 de Junho), da
qual saiu derrotado, desmoronou as esperanças do
Imperador, que acabou os seus dias na Ilha de Santa
Helena. Deixou em França um rasto de duradouro, ficando
conhecido como o "filho da Revolução", que do caos fez a
ordem e propagou os frutos da Revolução por toda a
Europa à ponta da baioneta.
(in
Grande Enciclopédia Universal, Editora Durclub,
S.A., vol. 14, pp.9225-9227,