General Inglês, era um bastardo do
1° marquês de Waterford. Tendo assentado praça aos 17
anos, tomou parte em várias campanhas contra a França
revolucionária e desempenhou cargos de importância no
Egipto, no Cabo da Boa Esperança e em Buenos Aires.
Começou a ligar-se de
perto com os assuntos portugueses quando foi
enviado à Madeira, com o encargo de ocupá-la, em
nome do príncipe regente D. João, para impedir
que os franceses ali se instalassem. Reconhecida
a deficiência das nossas tropas, cujos quadros
se haviam desorganizado com a invasão de Junot,
o Governo português, que estanciava no Rio de
Janeiro, pede ao Governo da Grâ-Bretanha um
oficial capaz de reorganizar o exército e
discipliná-lo, sendo então Beresford escolhido
para o desempenho dessa missão.
O País estava a braços com a
invasão de Soult. Por decreto de 7 de Março de
1809,Beresford é nomeado generalíssimo do exército
português, entrando imediatamente em funções e
instalando-se com o seu Estado-Maior no palacete do
Calhariz, de onde saíram todas as ordens que
contribuíram para reorganizar o nosso desmantelado
exército. Homem ríspido e profundamente disciplinador,
enquanto durou a luta contra os Franceses dentro do
País, Beresford acompanhou as operações chegando a
entrar em Espanha, após a retirada de Soult, para
prestar auxílio a Wellesley. Por ocasião da invasão de
Massena, deveu-se-lhe o bom êxito dessa campanha em
grande parte, pois as suas sábias providências haviam
conseguido transformar a turbamulta dos soldados
portugueses num verdadeiro exército. (...)
Após o gozo de uma licença em
Inglaterra, volta a Lisboa a reocupar o seu posto de
generalíssimo, datando de então a sua acção severamente
repressiva dos «Jacobinos» e dos conspiradores, que,
agrupados em diversas sociedades secretas, se propunham
derrubar a Regência e expulsar Beresford, enquanto
outros iam mais longe, propondo-se instaurar em Portugal
um regime constitucional com uma carta como a que havia
sido dada à Espanha em 1812.
Em Maio de 1815 chega a Lisboa o
general Gomes Freire de Andrade, e logo o Intendente da
Polícia denuncia essa chegada a Beresford, acentuando
que se havia observado que o povo o encarava com bons
olhos.
Fervem as conspirações e, mais
ainda, os boatos. Ambicionando impor a todo o País a
mesma disciplina de ferro que impusera ao exército, e
não encontrando na Junta da Regência o apoio que
desejava, Beresford vai ao Rio de Janeiro, de onde
regressa investido por D. João VI de amplos poderes para
agir. Desfrutando agora de uma posição de comando que o
sobrepunha à própria Regência, Beresford dá ordens
severíssimas para que sejam apanhados todos os suspeitos
de conspirarem. (...)
Executados os réus, verificou-se
que o castigo, longe de aterrar, excitara pelo
contrário, o que Beresford sentiu tão bem que novamente
se pôs a caminho do Rio de Janeiro para reclamar maior
latitude de poderes, que de facto lhe foram concedidos.
Nomeado, por carta patente de 29 de Julho de 1820,
marechal-general do exército português, com poderes de
verdadeiro pró-cônsul, Beresford regressou a Portugal.
Mas logo em Agosto de 1920 deflagrou a revolução
liberal, e ao entrar no Tejo foi-lhe notificado em nome
da Junta Provisional de Lisboa, que estava proibido de
desembarcar e, mais ainda, isolado por completo enquanto
se encontrasse no País.
Regressado a Inglaterra, onde
procurou sempre contrariar a acção do governo liberal de
Lisboa, Beresford ainda voltou a Portugal em 1826, com
as tropas do General Clinton, chamadas pela regente D.
Isabel Maria para protegerem o cambaleante regime
liberal. Mas não foi autorizado a assumir o comando do
nosso exército, desaparecendo então definitivamente da
cena política de Portugal.
AAD - Dicionário de História -
coordenação de JOEL SERRÃO