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WILLIAM CARR BERESFORD (1768-1854).

 

General Inglês, era um bastardo do 1° marquês de Waterford. Tendo assentado praça aos 17 anos, tomou parte em várias campanhas contra a França revolucionária e desempenhou cargos de importância no Egipto, no Cabo da Boa Esperança e em Buenos Aires.

 

Começou a ligar-se de perto com os assuntos portugueses quando foi enviado à Madeira, com o encargo de ocupá-la, em nome do príncipe regente D. João, para impedir que os franceses ali se instalassem. Reconhecida a deficiência das nossas tropas, cujos quadros se haviam desorganizado com a invasão de Junot, o Governo português, que estanciava no Rio de Janeiro, pede ao Governo da Grâ-Bretanha um oficial capaz de reorganizar o exército e discipliná-lo, sendo então Beresford escolhido para o desempenho dessa missão.

 

O País estava a braços com a invasão de Soult. Por decreto de 7 de Março de 1809,Beresford é nomeado generalíssimo do exército português, entrando imediatamente em funções e instalando-se com o seu Estado-Maior no palacete do Calhariz, de onde saíram todas as ordens que contribuíram para reorganizar o nosso desmantelado exército. Homem ríspido e profundamente disciplinador, enquanto durou a luta contra os Franceses dentro do País, Beresford acompanhou as operações chegando a entrar em Espanha, após a retirada de Soult, para prestar auxílio a Wellesley. Por ocasião da invasão de Massena, deveu-se-lhe o bom êxito dessa campanha em grande parte, pois as suas sábias providências haviam conseguido transformar a turbamulta dos soldados portugueses num verdadeiro exército. (...)

 

Após o gozo de uma licença em Inglaterra, volta a Lisboa a reocupar o seu posto de generalíssimo, datando de então a sua acção severamente repressiva dos «Jacobinos» e dos conspiradores, que, agrupados em diversas sociedades secretas, se propunham derrubar a Regência e expulsar Beresford, enquanto outros iam mais longe, propondo-se instaurar em Portugal um regime constitucional com uma carta como a que havia sido dada à Espanha em 1812.

 

Em Maio de 1815 chega a Lisboa o general Gomes Freire de Andrade, e logo o Intendente da Polícia denuncia essa chegada a Beresford, acentuando que se havia observado que o povo o encarava com bons olhos.

 

Fervem as conspirações e, mais ainda, os boatos. Ambicionando impor a todo o País a mesma disciplina de ferro que impusera ao exército, e não encontrando na Junta da Regência o apoio que desejava, Beresford vai ao Rio de Janeiro, de onde regressa investido por D. João VI de amplos poderes para agir. Desfrutando agora de uma posição de comando que o sobrepunha à própria Regência, Beresford dá ordens severíssimas para que sejam apanhados todos os suspeitos de conspirarem. (...)

 

Executados os réus, verificou-se que o castigo, longe de aterrar, excitara pelo contrário, o que Beresford sentiu tão bem que novamente se pôs a caminho do Rio de Janeiro para reclamar maior latitude de poderes, que de facto lhe foram concedidos. Nomeado, por carta patente de 29 de Julho de 1820, marechal-general do exército português, com poderes de verdadeiro pró-cônsul, Beresford regressou a Portugal. Mas logo em Agosto de 1920 deflagrou a revolução liberal, e ao entrar no Tejo foi-lhe notificado em nome da Junta Provisional de Lisboa, que estava proibido de desembarcar e, mais ainda, isolado por completo enquanto se encontrasse no País.

 

Regressado a Inglaterra, onde procurou sempre contrariar a acção do governo liberal de Lisboa, Beresford ainda voltou a Portugal em 1826, com as tropas do General Clinton, chamadas pela regente D. Isabel Maria para protegerem o cambaleante regime liberal. Mas não foi autorizado a assumir o comando do nosso exército, desaparecendo então definitivamente da cena política de Portugal.


AAD - Dicionário de História - coordenação de JOEL SERRÃO

 

Joaquim Matias da Silva

 

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