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FELIZMENTE HÁ LUAR! - Personagens

 

Manuel e Rita

 

MANUEL


Personifica a perspicácia, a inteligência e a capacidade de apreciação crítica de muitos elementos do povo que, apesar de ser mantido na ignorância pelo regime, consegue discernir a situação da sua classe e do país (p.16).

 

Consciente da sua pequenez, é bem notória a sua impotência perante uma eventual resolução dos problemas que afligem a sociedade (pp.15, 77).


No diálogo travado com Matilde, Manuel mostra-se novamente consciente das desigualdades sociais do seu tempo, mas na sua voz perpassa a frustração, o desalento, a falta de energia para lutar contra os poderes instituídos (pp. 106-109).

Manuel e Rita, numa representação da peça.

Também  como poderia ele, sozinho, lutar contra os poderes instituídos?

 

Como Rita, Manuel também vê Gomes Freire como uma espécie de Messias e daí, talvez, a sua agressividade em relação a Matilde, após a prisão do general, quando ela lhes pede que se revoltem e que a ajudem a libertar o seu homem. É que a prisão de Gomes Freire constitui-se como que uma traição à esperança que o povo nele depositava.


É solidário, no entanto não deixa de transparecer a ideia de que o instinto de sobrevivência do povo sobrepõe-se muitas vezes a todos os sentimentos (p. 109).
 


RITA


 

Adquire mais relevo no acto II. Com efeito, é ela que presencia a prisão e a violência exercida sobre Gomes Freire (p. 82).

 

Mostra-se solidária com Matilde, comovendo-se com a infelicidade que atingiu inexoravelmente a mulher do general (pp. 82-83).


A sua solidariedade para com Matilde nasce, obviamente, da comunhão de sentimentos: ambas sabem, enquanto guardiãs do lar, como o Regime pode afectar a vida familiar. Não admira, pois, que ao ver o que acontecera a Matilde aconselhe o marido a não se meter em situações que possam levar à desgraça da sua própria família (p. 85).

 

Rita, TEP, 2004

 

Joaquim Matias da Silva

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© Joaquim Matias 2008

 

 

 

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