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FELIZMENTE HÁ LUAR! - Personagens

 

Matilde de Melo

 

“Companheira de todas as horas” do general, esta mulher é a personificação de todas as mulheres que, para manterem a família unida, são capazes de todos os sacrifícios.

 

Figura central do acto II, surge-nos como uma mulher apaixonada e corajosa.


Na conversa com Beresford, começa por utilizar um tom desafiador, arrogante, para se tornar menos agressiva até ao momento em que surge o Principal Sousa, altura em que levanta a sua voz e, com argumentos irrefutáveis, confunde completamente o representante da Igreja. (pp. 124-126)


É a voz da consciência junto dos governadores, obrigando-os a reflectir e a repensar a sua forma de agir.

Matilde, numa representação da peça.

 

Levanta também a sua voz contra a passividade do povo.


É a imagem viva da dor, da alucinação a que leva o sofrimento.


Convém notar, no entanto, que as suas falas, imbuídas de dor e revolta, não traduzem só um mal-estar individual, mas constituem também uma denúncia da falsidade e da hipocrisia do Estado e da Igreja. Todas as tiradas de Matilde revelam uma clara lucidez e uma verdadeira coragem na análise que faz de toda a teia que envolve a prisão e condenação do seu marido.

 

Matilde e Principal Sousa - TEP, 2004.

 

Entretanto, é a consciência da inevitabilidade do martírio do seu amado que a transporta inexoravelmente para um delírio final.  Envergando a saia verde que o general lhe oferecera em Paris (cidade-símbolo da esperança num futuro de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, os ideais da Revolução Francesa), Matilde "conversa" com Gomes Freire vivenciando alucinatoriamente momentos de intenso dramatismo. Esses momentos finais, pelo carácter surreal de que estão impregnados, são também uma denúncia do absurdo a que levam a intolerância e a violência dos homens (pp.138-139).

 

Apesar dessa espécie de alucinação, Matilde vai ganhando cada vez mais força, à medida que a  intriga avança,  e é  ela que encerra a peça, proferindo a célebre frase, eivada de um grande simbolismo: "Felizmente - felizmente há luar!" (p. 140).

 

Joaquim Matias da Silva

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© Joaquim Matias 2008

 

 

 

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