Monólogo de Manuel sobre a situação política de
Portugal.
As frases iniciais proferidas ("Que hei-de eu
fazer? Sim, que hei-de eu fazer"?),
repetidas no início do acto II, acentuam a sua
impotência e a impossibilidade de todos os que
ele representa (os elementos do povo e seus
aliados) em mudarem o rumo dos acontecimentos, o
statu quo, que mergulhava a pátria na
escuridão, como resultado de um regime
ditatorial assente na ignorância, na
prepotência, na delação e no medo.
15-16
2
Diálogo sobre o mesmo tema em que participam
outras personagens – elementos do povo (1.º
Popular, Rita, o Antigo Soldado, 2.º Popular,
3.º Popular, uma velha, uma voz, outra voz,
Vicente).
O nome do general Gomes Freire de Andrade é
invocado positivamente, havendo apenas uma voz
discordante: a de Vicente, que não aceita a
distinção entre Gomes Freire e os outros
generais, "porque essa gente é toda igual".
17-24
24
3
Chegam dois polícias que dispersam o grupo de
populares, com excepção, mais uma vez, de
Vicente, que revela uma certa cumplicidade com
os agentes da autoridade e mostra-se
interesseiro e disposto a trair o povo desde que
daí advenham recompensas pessoais.
Gomes Freire, símbolo da Liberdade para o povo,
nada significa para ele, que só acredita "em
duas coisas: no dinheiro e na força. O general
não tem uma nem outra".
24-32
25
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Vicente é levado à presença de D. Miguel e do
Principal Sousa. A troco da promessa de um cargo
na chefia na polícia, Vicente é incumbido por
eles de espiar a vida de Gomes Freire e de fazer
"uma lista das pessoas com quem o general se
dá".
26-38
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Vicente profere um discurso ambíguo que serve o
seu oportunismo sem deixar, contudo, de criticar
a prepotência dos governadores. É assim que
responde quando o principal Sousa defende a
origem divina do poder: "O povo, Reverência,
não leu o ' Eclesiastes ' e pouco se preocupa
com a origem do poder. Interessa-lhe mais o
preço do pão... Talvez, se o ensinassem a ler,
tomasse conhecimentos do ' Eclesiastes' ".
A sua falta de escrúpulos e a sua ironia são
reforçadas pela gradação do seu riso, conforme
se lê na didascália: rindo-se, ria-se muito,
rindo-se mais ainda.
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Diálogo entre D. Miguel Pereira Forjaz, William
Beresford e o Principal Sousa, governadores do
reino, que conversam sobre o clima de
conspiração. Deste diálogo ressaltam o medo dos
governadores e a adversidade entre Beresford e o
representante da Igreja, o Principal Sousa.
O Marechal demonstra também a pouca consideração
que lhe merecem os denunciantes Andrade Corvo e
Morais Sarmento.
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7
Estes dois últimos “bufos” são recebidos
friamente pelos governadores e incumbidos, sob a
ameaça de serem castigados pelo seu passado de
pedreiros-livres, de obter "seja como for"
informações sobre os conspiradores.
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Diálogo entre D. Miguel, o Principal Sousa e
Beresford, onde este último assume o seu
sentimento de superioridade em relação a
Portugal e confessa estar no nosso país apenas
pelo dinheiro. Nesta conversa, D. Miguel defende
a necessidade de encontrar um responsável pela
conspiração que se prepara: "A pergunta é:
quem deve, ou convirá que tenha sido o chefe da
revolta?".
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Vicente traz informações sobre as pessoas que
frequentam a casa do general Gomes Freire.
Os governadores trocam impressões sobre a pessoa
que mais lhes convém acusar como sendo o chefe
da conjura.
Andrade Corvo, Morais Sarmento e Vicente vão
trazendo notícias alarmantes sobre a revolta que
se prepara.
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61
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D. Miguel não tem pejo em condenar um inocente;
Beresford revela, num longo monólogo, o seu
interesse pessoal em liquidar Gomes Freire; os
governadores não escondem o seu medo e
incentivam os denunciantes (nem que tenham de
vender a alma ao diabo) a saberem o nome dos
chefes.
68-69
11
Atinge-se o clímax da tensão, quando os
denunciantes pronunciam o nome que interessa aos
governadores: Gomes Freire d’Andrade.
JMS
70- 74
O primeiro acto termina em festa pela condenação do
General Gomes Freire.