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Sttau Monteiro
 

FELIZMENTE HÁ LUAR!

 

- Sequências dramáticas -

ACTO II

 

"O segundo acto começa precisamente como o primeiro", lê-se na didascália (= texto secundário).

 

Possível

divisão em cenas

SEQUÊNCIAS DRAMÁTICAS

PP.

1

 

Manuel reitera o sentimento de impotência já expresso no início do primeiro acto: "Que posso eu fazer? Sim, que posso eu fazer?", mas agora agravado pela prisão do General.


Outros populares participam neste momento (1.º Popular, 2.º Popular, 3.º Popular, o antigo soldado, Rita) e comentam a detenção do general. A sua revolta é, agora, mais notória, já que não se amedrontam com os polícias que ordenam a dispersão.
 

 

77

 

 

 

81

 

 

 

2

 

Matilde de Melo, a mulher de Gomes Freire, manifesta, num longo monólogo, a sua revolta pela prisão do marido.

 

 

83-86

 

 

3

 

Sousa Falcão surge como um apoio para Matilde, revelando vontade de lutar também pela libertação do marido da amiga.

 

 

86-89

 

 

4

Depois de recordar o seu percurso ao lado do marido, Matilde redobra a sua decisão de tentar libertá-lo.

 

90-91

 

 

5

 

Assim, enfrenta Beresford, argumentando em defesa do General. O seu discurso começa por ser arrogante para acabar em tom de súplica. É, entretanto, interrompida pela voz de um padre que anuncia acções de graça pela descoberta da conjura. A revolta de Matilde perante tal situação fá-la retornar o seu tom arrogante.

 

 

91-100

 

 

 

 

 

6

 

Matilde tenta obter apoio junto dos populares, que parecem exprimir uma indiferença total perante os acontecimentos. Manuel e Rita explicam esta aparente indiferença argumentando com a impotência do povo.

 

100/110

 

 

 

7

 

Depois das notícias de Sousa Falcão sobre as atrocidades cometidas em S. Julião da Barra contra o General, Matilde pede ao amigo para a acompanhar a casa de D. Miguel Forjaz.

 

 

110/118

 

 

 

8

 

São informados por um criado de que D. Miguel não está disposto a recebê-los. Dorida, pesarosa, Matilde extravasa a sua revolta pela atitude do governador.

 

 

119/120

 

 

 

9

 

Dirigindo-se, agora, ao Principal Sousa, Matilde critica a incoerência da Igreja.


Esta crítica não é propriamente dirigida à Igreja como instituição, mas aos homens que a representam (note-se a atitude bondosa do confessor do General, Frei Diogo, que não teme em reconhecer a inocência de Gomes Freire). O Principal Sousa, abalado pelas palavras de Matilde e de Frei Diogo, acaba também ele por reconhecer a impotência da Igreja.

 

121/131

 

 

 

 

 

 

 

 

10

 

Prepara-se a execução dos prisioneiros. A crítica mordaz de Matilde, que se queixa a Deus pelas injustiças dos homens que agem em Seu nome, abalam mais uma vez o Principal Sousa, que volta a confessar a sua impotência.

 

 

131/135

 

 

 

 

11

 

Manuel e o 1.º Popular deixam transparecer a sua revolta pela morte “pouco honrosa” do General, que tinha pedido para ser fuzilado como um soldado e não enforcado como um vilão.

 

 

135

 

 

 

12

 

Matilde e Sousa Falcão presenciam o clarão da fogueira que há-de queimar o corpo do General, depois do seu enforcamento. Dilacerada pela dor, Matilde despede-se do marido.


A afirmação de D. Miguel, “felizmente há luar” permitirá prolongar as execuções, mas o sentido desta expressão transmuda-se, pois o luar e o clarão da fogueira representam, simbolicamente, o incentivo à revolta popular contra a tirania: "Felizmente - felizmente há luar!"

JMS

136/140

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em conclusão:

Acto I   – trama-se a prisão do General
Acto II – execução do General, que nunca teve, intencionalmente, a palavra para se defender, surgindo, assim, como vítima de uma conspiração que o poder vigente faz nas suas costas.

Joaquim Matias da Silva

 

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