Construído por D. João I a partir duma antiga residência
árabe e
acrescentado por D. Manuel, o Paço Real de Sintra (hoje
Palácio
Nacional de Sintra) foi a residência preferida dos reis
portugueses ao
longo dos séculos.
Como nota Helena Barbas, o cenário
do I Acto é
construído com elementos simbólicos: à esquerda,
o
palácio
- espaço
artificial, porque construído pelo homem, e social,
devido às implicações políticas que contém, surge
desvalorizado, tanto
a
nível
simbólico (a esquerda é sinistra), como a nível teatral
(segundo as
antigas convenções, quem vem da esquerda é sempre o
vilão); ao
centro,
a escadaria, com as conotações de acesso, subida
e descida,
aponta para o percurso a ser efectuado pelas
personagens, e
as fontes
e
os
tanques
marcam já a presença da
água, que irá predominar
no III Acto;
à direita,
os montes
e
os arvoredos,
constituindo um espaço natural, tão
querido dos
românticos, marcam o lugar donde surge Bernardim Ribeiro, o
poeta
enamorado, o homem natural, a quem o acesso ao palácio é
interdito.