O gótico define-se, do ponto de vista técnico, pela
utilização do
arco ogival e de nervuras nas abóbadas, as quais,
cruzando-se,
permitem o lançamento de coberturas altas e leves (donde
a sensação de
verticalidade), com a consequente possibilidade de
adelgaçamento das
paredes, onde são rasgadas aberturas e janelas amplas,
facultando uma
iluminação límpida.
Em Portugal, são notáveis espécimes da arte
gótica a Igreja do Mosteiro de Alcobaça, S.
Francisco e Santa Clara, de Santarém, as sés de
Viana do Castelo e da Guarda, o Convento da
Conceição de Beja e o Mosteiro da Batalha.
Igreja e
Convento de S. Francisco, em Santarém
A Renascença, do ponto de vista estético, caracteriza-se
pelo
regresso às formas de arte greco-latinas. Não foi sem
resistência que o
estilo renascentista se impôs nos diversos países que o
adaptaram e em
que entrou em conflito com o gótico. Em Portugal,
resultou um estilo
compósito a que se deu o nome de Manuelino - o gótico
modificado,
especialmente por emblemas e outros elementos
decorativos inspirados
na expansão marítima. Exemplares desse estilo são as
Capelas Imperfeitas
do Mosteiro da Batalha, a igreja e o claustro do
Mosteiro dos
Jerónimos, a Torre de Belém.
O claustro do Mosteiro dos Jerónimos
Veja-se a leitura que Helena Barbas faz da caracterização arquitectónica do cenário
do acto II deste
Auto de Gil Vicente:
«A carga negativizante do artificial é aliviada pelo
estilo arquitectónico ou decorativo que se indica. O gótico, que
aponta para
o período medieval, o estilo das catedrais, tem como
elementos
o arco ogivado, as abóbadas, os pináculos, com o seu
sentido de
verticalidade. A inclinação à renascença e o florido
adoçam a
austeridade do gótico e alvitram um estilo nacional, o
manuelino.
O espaço do palácio é marcado a vários níveis:
histórico, porque pertença do final da Idade Média e
princípio do
Renascimento; nacional, porque manuelino; religioso,
porque
contém em si referências ao templo, ao sentido da
verticalidade,
tomando-se centro, axis mundi».