Camilo Castelo Branco
Fernando Pessoa
José Saramago
Sttau Monteiro
Outros
Outros Autores

 

XVI


OS CINCO SENTIDOS

 

São belas - bem o sei, essas estrelas,
Mil cores - divinais têm essas flores;
Mas eu não tenho, amor, olhos para elas:
               Em toda a natureza
               Não vejo outra beleza
               Senão a ti - a ti!

Divina - ai! sim, será a voz que afina
Saudosa - na ramagem densa, umbrosa,
Será; mas eu do rouxinol que trina
               Não oiço a melodia,
               Nem sinto outra harmonia
               Senão a ti - a ti!

 

 

Respira - n'aura que entre as flores gira,
Celeste - incenso de perfume agreste.
Sei... não sinto: minha alma não aspira,
               Não percebe, não toma
               Senão o doce aroma
               Que vem de ti - de ti!

Formosos - são os pomos saborosos,
É um mimo - de néctar o racimo:
E eu tenho fome e sede... sequiosos,
               Famintos meus desejos
               Estão... mas é de beijos,
               É só de ti - de ti!

Macia - deve a relva luzidia
Do leito - ser por certo em que me deito.
Mas quem, ao pé de ti, quem poderia
               Sentir outras carícias,
               Tocar noutras delícias
               Senão em ti - em ti!

A ti! ai, a ti só os meus sentidos
Todos num confundidos,
Sentem, ouvem, respiram;
Em ti, por ti deliram.
Em ti a minha sorte,
A minha vida em ti;
E quando venha a morte,
Será morrer por ti.

 

Comentário

 

Voltar

 

© Joaquim Matias 2009

 

 

 

 Páginas visitadas