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FREI LUÍS DE SOUSA - ACTO III

 

CENA IV

 

TELMO

(só)

‑ Virou‑se‑me a alma toda com isto: não sou já o mesmo homem. Tinha um pressentimento do que havia de acontecer... parecia‑me que não podia deixar de suceder... e cuidei que o desejava enquanto não veio. Veio, e fiquei mais aterrado, mais confuso que ninguém! Meu honrado amo, o filho do meu nobre senhor está vivo... o filho que eu criei nestes braços... vou saber novas certas dele, no  fim  de  vinte anos certas dele, no fim de vinte anos de  o julgarem todos perdido; e eu, eu que sempre esperei, que sempre suspirei pela sua vinda... ‑ era um milagre  que  eu  esperava  sem  o  crer!  ‑  Eu

agora tremo... É que o amor desta outra filha, desta última filha, é maior, e venceu... venceu, apagou o outro. Perdoe‑me Deus, se é pecado. Mas que pecado há‑de haver com aquele anjo? Se ela me viverá, se escapará desta crise terrível? Meu Deus! (ajoelha) Levai o velho que já não presta para nada, levai‑o por quem sois! (aparece o romeiro à porta da esquerda, e vem lentamente aproximando‑se de Telmo que não dá por ele) Contentai‑vos com este pobre sacrifício da minha vida, Senhor, e não me tomeis dos braços o inocentinho que eu criei para vós, Senhor, para vós... mas ainda não, não mo leveis ainda. Já padeceu muito, já traspassaram bastantes dores aquela alma; esperai‑lhe com a da morte algum tempo!...

Joaquim Matias da Silva

 

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