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FREI LUÍS DE SOUSA -
ACTO III
CENA VI
ROMEIRO, TELMO E
MADALENA
de fora, à porta do fundo
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Madalena
‑ Esposo, esposo,
abri‑me, por quem sois. Bem sei que aqui estais!
Abri!
Romeiro
‑ É ela que me
chama. Santo Deus! Madalena que chama por mim...
Telmo
‑ Por vós?
Romeiro
‑ Pois por
quem?... não lhe ouvis gritar: «esposo, esposo»?
Madalena |
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‑
Marido da minha alma, pelo nosso amor te peço, pelos
doces nomes que me deste, pelas memórias da nossa
felicidade antiga, pelas saudades de tanto amor e tanta
ventura, oh! não me negues este último favor.
Romeiro
‑ Que encanto, que
sedução! Como
lhe hei‑de resistir!?
Madalena
‑ Meu marido, meu amor, meu Manuel!
Romeiro
‑ Ah!... E eu tão cego que
já tomava para mim!... Céu e inferno! Abra‑se esta
porta... (investe para a porta com ímpeto; mas pára
de repente). Não: o que é dito, é dito.
(Vai precipitadamente à
corda da sineta, toca com violência; aparece o mesmo
irmão converso, e a um sinal do Romeiro ambos
desaparecem pela porta da esquerda.)
Joaquim
Matias da Silva
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