George
Gordon Byron (1788-1824), lorde e poeta romântico
inglês, de ascendência escocesa, teve grande influência
no Romantismo inglês e no alemão. O seu estilo poético
caracterizou-se pela expressão intensa da paixão,
sobrepondo-se aos valores morais. O herói byroniano é
excessivo, devasso, melancólico e romântico.
Byron nasceu em Londres em 1788, filho de um
capitão conhecido como Mad Jack Byron e de
Catherine Gordon of Gight, uma herdeira escocesa
cuja fortuna foi dissipada pelo marido. Perde o
pai aos três anos de idade, sendo os primeiros
dez anos da sua vida passados com a mãe, em
Aberdeen.
Coxo de nascença, Byron teve uma infância
difícil, agravada pelo temperamento violento da
mãe e pela forma pouco amistosa como tratava o
filho. Aos seis anos, tornou-se barão de Byron
e, em 1798, recebe, inesperadamente, o título de
6.° barão de Rochdale por morte de um parente
afastado, título do qual sempre se orgulhou.
Byron vestido à maneira
albanesa.
Educado
no liceu de Aberdeen e, posteriormente, em Harrow,
distinguiu-se mais na natação e nos jogos de boxe e
críquete, do que nos estudos. Em 1805, ingressou no
Trinity College, em Cambridge, onde viveu de forma
extravagante, contraindo algumas dívidas. Foi durante a
sua permanência em Cambridge que viu editado o seu
primeiro livro de poemas, Hours of Idleness
(1807), que lhe mereceu os maiores encómios, se
exceptuarmos as críticas pouco abonatórias que lhe foram
dirigidas pela consagrada Edinburgh Review, no
ano seguinte. Em resposta àquela crítica, Byron compôs
English Bards and Scott Reviewers (1809),
um poema satírico, inspirado no estilo de Alexander Pope,
no qual atacou poetas consagrados como Wordsworth e
Scott.
No mesmo ano partiu para uma viagem de mais de dois anos
que o levou a Espanha, Portugal
(mais especificamente a Sintra. Aliás, da sua estadia
nesta estância resta a sua referência em termos
depreciativos a Portugal e aos portugueses - estrofes 14
a 33 de Childe Harold's Pilgrimage),
Grécia, Malta, Albânia e ao Médio Oriente.
De regresso a Inglaterra, Byron publicou Hints
from Horace (1811) e os dois primeiros contos de
Childe Harold's Piligrimage (1812), a
narrativa em verso dessas suas viagens, que cativou de
imediato o público inglês. Nesta obra aparece já
delineado o tipo byroniano, romântico e sombrio,
impressionável e dilacerado por sofrimentos secretos. O
herói é identificado com o autor, devido ao seu
inconformismo e rebeldia. De 1813 a 1816 publicou, com
grande sucesso, uma série de poemas narrativos em verso
sobre temas exóticos, alguns de inspiração oriental: The Bride of Abydos (1813), The Giaour
(1813), The Corsair (1814), Lara Helrew
(1814), The Siege of Corinth (1816) e
Mazeppa (1819). A imagem do herói byroniano foi
determinante para a popularidade do autor, já então
célebre na sociedade londrina.
Em 1815, Byron casou com Anne Isabella Milbanke, que o
deixou no ano seguinte, depois do nascimento da filha,
Ada.
Os rumores acerca de uma relação incestuosa entre Byron
e a sua meia-irmã Augusta Leigh agravaram-se e o
escritor, proscrito pela sociedade, partiu
definitivamente para o continente em 1816.
Fixou-se primeiro na
Suíça,
onde compôs o terceiro conto de Childe Harold's,
tendo nesse país encontrado figuras como Percy Bysshe
Shelley e Mary Wollstonecraft Godwin. Entretanto, Claire
Clairmont, meia-irmã de Mary, dava à luz uma filha de
Byron, que morreu na infância.
Em
Roma,
escreveu o último conto de Childe Harold's,
identificando-se cada vez mais com o seu herói.
Seguiram-se o poema The Prisoner of Chillon
(1816) e os dramas líricos Manfred (1817)
e Cain(1821). Em
Veneza,
onde permaneceu 2 anos, conheceu a condessa Teresa
Guiccioli, esposa de um nobre italiano. Algumas das
melhores obras de Byron datam deste período: Beppo,
a venitian story (1818), A Vision of
Judgment (1822) e Don Juan
(1818-19), escritas em oitava rima. Em Don Juan,
a sua principal obra, que ficou inacabada, o realismo, o
humor e a sátira alternam com o lirismo das descrições
da natureza. A grandeza do poema reside sobretudo na sua
métrica informal, que permitiu ao autor exprimir a sua
complexa personalidade. Byron sintetiza nesta obra a sua
rebeldia, ironia e extraordinária sensibilidade. O seu
espírito combativo levou-o a juntar-se aos rebeldes
italianos e a fundar com Leigh Hunt o jornal The
Liberal. Em 1823, já com a saúde debilitada por
febres, voltou à Grécia
para participar na
libertação deste país que tinha sido subjugado pelos
Turcos e morreu, vítima de malária, em Missolonghi, no
dia 19 de Abril de 1824. O escritor foi sepultado em
Hucknall Torkard, Nottingham.
O seu
carácter arrebatado contribuiu para fazer dele uma das
figuras mais típicas do Romantismo. Na Europa, a sua
reputação esteve sempre associada ao movimento
romântico, ainda que Byron privilegiasse o estilo de
Pope.
Ficou na
história como paradigma, nas qualidades e nos defeitos,
do poeta e do herói românticos.