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 "HINO À RAZÃO" - Comentário

 

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Esta composição poética apresenta uma estrutura interna bipartida, sendo que a primeira parte engloba a primeira quadra e a segunda é formada pela segunda quadra e pelos dois tercetos.

Assim, na primeira quadra, o sujeito poético, utilizando a apóstrofe, dirige-se à Razão, a que chama irmã do Amor e da Justiça, sugerindo que estes dois grandes valores/sentimentos não serão possíveis sem a Razão. A Razão surge identificada panteisticamente com a Ideia Universal, uma espécie de alma do mundo que comanda a História.

Entretanto, ficamos a saber, através do segundo verso, que não é a primeira vez que o poeta implora a atenção da Razão, que deverá escutar a sua prece, o seu pedido ("Mais uma vez escuta a minha prece") porque é a voz dum coração que a anseia e duma alma que, sendo livre, apenas a Ela se submete (no fundo, a Razão será a única luz que orienta o seu coração e a sua própria alma).

 

Na segunda quadra e nos dois tercetos, de uma forma reiterada, a que a  construção anafórica ("Por ti... / Por ti...") dá mais força, o sujeito poético passa a explicitar os motivos por que, uma vez mais, se dirige, em prece, à Razão: a existência e funcionamento do universo só se tornam entendíveis através da Razão (vv. 5/6). Repara-se que segundo Hegel, filósofo alemão, de quem Antero recebe particular influência, todo o conhecimento é conhecimento humano, e este não é concebido sem o recurso à Razão. De facto, só com o uso da Razão poderá imperar a virtude e desenvolver-se o heroísmo (vv. 7/8).

 

Também é em nome da Razão que as nações (os povos) oprimidas, ainda que à custa de muita luta («na arena trágica» - campo de batalha), conquistam a sua liberdade, vencendo a tirania e a opressão (vv. 9/10). Por isso, a dimensão história enforma também o sentido global da composição. E é ainda em nome da Razão que aqueles que se sentem impotentes no presente, apesar de tudo, podem sofrer, mas não se deixam abater, não permitindo, deste modo, que se desvaneça a sua esperança em relação ao futuro (vv. 12/13). É a dimensão humana e psicológica que se impõe, igualmente

 

O sujeito poético termina com com uma eloquente e enaltecedora apóstrofe: «Mãe [a Razão] de filhos robustos» (v. 13). Mas quem são estes «filhos robustos»? Só podem ser aqueles que combatem em nome da Razão (vv. 13/14).

 

De entre as várias figuras de estilo, podemos destacar: a apóstrofe (em todo o soneto, mas, de forma explícita, nos vv. 1 e 13); a personificação (vv. 1/2 e 13); a metáfora (vv. 1, 3-4, 5/6, 8/10, 14); a imagem metafórica (vv. 5/6, 8, 9-11); anáfora (vv. 5, 7, 9, 12); adjetivação (livre, submissa, movediça, trágica, mudos, robustos); antítese (vv. 4, 12); enumeração polissidética (vv. 6-8).

 

in http://faroldasletras.no.sapo.pt/sonetos_antero.html, com adaptações.
 

Joaquim Matias da Silva

 

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