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OS MAIAS - Crónica de costumes


AS CORRIDAS NO HIPÓDROMO

 

Na organização das corridas (pp. 312-341) está intensamente empenhado o Dâmaso Salcede, o do "chique a valer".

 

 

 

 

 

 

 

Hipódromo em Belém - século XIX.

 

 

As corridas constituem uma tentativa de mostrar o acompanhamento da civilização pelo nosso país, um esforço de cosmopolitismo, que é  conseguido, no entanto, à custa da imitação do que se faz "lá por fora". Esta tentativa de imitação é, desde logo, criticada por Afonso da Maia ao defender a tourada (p. 308).

 

O cenário físico e humano onde se iam realizar as corridas que, em princípio, deveria ostentar exuberância e colorido, caracterizava-se pela sensaboria, pela monotonia, pela improvisação, pela carência de motivação e vitalidade, próprias de um provincianismo evidente.

 

No final das corridas, esse clima de desinteresse pelo fenómeno desportivo torna-se "interessante" pela desordem provocada (p. 325) e pelas cenas de pancadaria – processo a que o narrador recorreu para satirizar o facto de se querer parecer civilizado quando, de facto, não se o é.

Joaquim Matias da Silva

 

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