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OS MAIAS - Crónica de costumes


O JORNAL "A TARDE"

 

O jornal "A Tarde" tem como director o Neves, deputado e político.

É neste jornal que Ega, depois de alguma chantagem psicológica, consegue a publicação da famosa carta do Dâmaso, não só como represália da injúria feita a Carlos da Maia, mas também para se vingar de uma possível ligação daquele espécime do "chique a valor" com a sua ex-amante Raquel Cohen.

 

Todo o diálogo do Ega com o Neves e outros funcionários do jornal lisboeta mostra a atmosfera política, o cinismo e a parcialidade do jornalismo.

Essa atmosfera deletéria  é, de igual modo, evidenciada, aquando da redacção de uma notícia sobre o livro do poeta Craveiro, por pertencer "cá ao partido", ou mais ainda quando Gonçalo, um dos redactores do jornal, depois de ter dito "Que besta, aquele Gouvarinho!" e de o considerar "uma cavalgadura" reitera que "- É necessário, homem! Razões de disciplina e de solidariedade partidária... Há uns compromissos... O Paço quer, gosta dele...". E tudo isto acontece pois "- Há aí umas questões de sindicatos, de banqueiros, de concessões em Moçambique... Dinheiro, menino, o omnipente dinheiro".

 

Em suma, no episódio do jornal "A Tarde" (pp. 57l - 579) revelam-se os vícios mais degradantes do jornalismo português:

A parcialidade (os favores prestados aos correligionários, aos membros do partido - p. 577 );


A dependência política;


Os compadrios.

Joaquim Matias da Silva

 

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