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ADÓNIS
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Adónis e
Vénus, de Pieter Rubens, 1635.
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O mito de Adónis
é originário da Síria. Antes de chegar à Grécia,
sofreu várias modificações, nomeadamente no
Egipto e em Chipre.
Adónis é fruto
de um incesto de Ciniras, rei de Chipre, com
Mirra, sua filha. Como Mirra foi transformada na
árvore do mesmo nome, Adónis foi recolhido por
Afrodite (Vénus), que o confiou a Perséfone, a
rainha dos Infernos. Era um jovem de
extraordinária beleza.
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Não
admira, pois, que a própria deusa da Beleza e do Amor se
tivesse apaixonado por ele. Mas Perséfone também se
enamorou dele, pelo que se recusou a entregá-lo a
Afrodite. Então, esta queixa-se a Zeus e o deus dos
deuses decidiu-se por uma sentença salomónica: um terço
do ano, Adónis seria confiado a Perséfone; um outro
terço, à deusa Afrodite; e, no último terço do ano,
seria livre de escolher o seu lugar de re(a)colhimento.
Assim, Adónis vivia, ora no Mundo Superior, com
Afrodite, ora no Mundo Inferior, com Perséfone. Mas a
paixão que a deusa do Amor nutria por ele suscitou os
ciúmes de Apolo, que irá desencadear uma desgraça.
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Na verdade,
embora este belo homem se notabilizasse por ser
um caçador exímio, foi mortalmente atingido por
um javali.
A sua morte
trágica foi poetizada por muitos artistas: o
sangue derramado por Adónis, a pedido de
Afrodite, foi transformado, por Zeus, em
anémona, a primeira e a efémera flor que brota
na Primavera, enquanto o sangue de Afrodite,
resultante das arranhaduras feitas nas silvas
pela sua pressa em socorrer o amado, coloriu as
rosas brancas em vermelhas. |

A morte de
Adónis. O sangue por ele derramado
transformou-se em anémona; o de Vénus coloriu as
rosas brancas em vermelhas. |
Adónis é a imagem da vegetação que desce, no Outono, ao
reino dos mortos para se encontrar com Perséfone, mas
que regressa à Terra, na Primavera, para se entregar ao
amor (Afrodite), desenvolver-se em toda a plenitude e
frutificar, no Verão. Por isso, representa a morte e a
ressurreição da natureza, no seu incessante
rejuvenescimento. O seu renascimento em cada Primavera
era festejado em festivais anuais de um culto místico de
mulheres, que enfeitavam estátuas de prata das três
divindades (Adónis, Afrodite e Perséfone) com fitas
púrpuras e grinaldas de flores. Uma parte destas
cerimónias subsiste na alusão grega aos “jardins de
Adónis”, que, normalmente, são constituídos por
erva-doce e alfaces plantadas em vasos de terracota,
simbolizando o rápido desabrochar e emurchecer da
vida breve deste deus.
Ficou, na mitologia grega, como deus da beleza masculina
e da fertilidade, por helenização de uma divindade
anteriormente existente nas religiões babilónica e
sírio-fenícia.
Publicado por
Joaquim Matias da Silva
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