Pai de D. Afonso Henriques, era o quarto filho de Henrique de Borgonha e bisneto
de Roberto I de França. Integrado nas cruzadas contra os mouros na Península
Ibérica, casou, pensa-se que por volta dos 30 anos, com D. Teresa, filha
ilegítima de D. Afonso VI de Leão e de Ximena Nunes.
Tornou-se senhor de Coimbra (1095) e de Braga (1096) por feitos de conquista,
intitulou-se senhor do Condado Portucalense com autoridade em todo o território
compreendido entre o Minho e o Tejo, ainda que só em 1109 se tenha intitulado
"Conde de todo o Portugal", por morte do sogro.
Em 1101 e 1103 envolveu-se na defesa dos direitos de Braga como antiga sede
eclesiástica da Galiza.
Continuou a dedicar-se ao combate aos mouros e durante a
questão da sucessão do seu sogro interveio activamente
nas negociações, a título independente. Expandiu o
esforço de conquista para este, ocupando Samora, Astorga e Oca.
Celebrou, em Astorga, a paz com D. Urraca, também filha de Afonso
VI, com interesse no Reino e que, entretanto, tinha assumido o governo deste,
juntamente com o seu filho D. Afonso VII, ainda criança. Viria a falecer pouco
tempo depois.
(in CD Multimédia Reis e Rainhas de Portugal - DN)
História para os mais novos:
O Conde D. Henrique
Pai de D. Afonso Henriques, o nosso primeiro rei, D. Henrique de Borgonha
conquistou muito
território aos muçulmanos.
Pela sua bravura, ele tinha sido recompensado com um grande território: o
Condado Portucalense.
Como governava sozinho o Condado e tinha sido muito importante na reconquista
aos mouros, D. Henrique quis tornar o Condado Portucalense independente.
Depois da sua morte, a sua mulher começou por seguir as suas ideias, mas começou
a ser influenciada por um nobre castelhano. Quem não gostou muito da ideia foi o filho D. Afonso Henriques, um grande admirador do pai.
Fundação de Portugal
Antes de se tornar um país independente, Portugal era um pequeno território no
norte da Península Ibérica e pertencia ao reino de Leão. Chamava-se Condado
Portucalense.
O Condado Portucalense era uma parcela de terra que ia do rio Minho ao rio
Douro. Foi entregue a um nobre francês, de nome Conde D. Henrique de Borgonha, como
recompensa de ter ajudado o rei de Leão na "Reconquista Cristã", ou seja, a
reconquistar território aos mouros.
O seu senhor (o conde) tinha alguma autonomia e liberdade de movimentos apesar
de continuar a prestar vassalagem ao seu rei. O problema é que muitos dos senhores dos condados queriam ter mais autonomia e,
talvez, até tornarem-se reis. Assim, o Conde D. Henrique tentou tudo para conseguir maior autonomia para o seu
território, apoiado por outros nobres. Mas, em 1112, D. Henrique morreu: será que o seu esforço de tornar o reino
independente teria sido em vão?
Felizmente, o seu filho Afonso Henriques (o futuro primeiro rei de Portugal) não
queria deixar este sonho morrer e decidiu prosseguir com a política do pai.