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D. AFONSO HENRIQUES, O Conquistador (n. c.1109 - m. 1185)

 

Primeiro rei de Portugal, filho do conde D. Henrique de Borgonha e da infanta D. Teresa (filha bastarda de D. Afonso VI de Leão, senhores do Condado Portucalense. Fundou a dinastia de Borgonha, que durou 244 anos.

 

Nasceu provavelmente na Alcáçova de Coimbra e faleceu na mesma cidade, tendo sido sepultado na igreja de Santa Cruz. Casou em 1146 com Mafalda ou Matilde (filha de D. Amadeu II, conde de Mouriana e Sabóia), de quem teve sete filhos.

Criado desde cedo por Soeiro Mendes e sua mulher, senhores de Riba de Ave, assumiu muito jovem, em 1120, juntamente com D. Paio, então arcebispo de Braga e irmão de Soeiro Mendes, uma posição política contrária à de sua mãe, que apoiava já então os Travas. Esta posição política obrigou D. Paio a emigrar, levando consigo o jovem D. Afonso Henriques que, provavelmente em 1122, se armou a si próprio cavaleiro - como era usual os reis fazerem - na catedral de Zamora. De novo no Condado, deu-se a 24 de Junho de 1128 a batalha de São Mamede.

 

Aí se defrontaram as hostes de D. Afonso Henriques com as de fidalgos galegos, chefiados por Fernão Peres de Trava, e partidários de D. Teresa.

 Temia-se a influência desse conde galego - Fernão Peres de Trava - junto de D. Teresa, já que se via nessa união uma clara tentativa de unificação da Galiza com Portugal, posição contrária à dos senhores portucalenses, que desejavam a autonomia em relação à Galiza.

 

Foi nestas circunstâncias que se travou a batalha, da qual o conde de Trava saiu derrotado, sendo D. Teresa exilada para a Galiza, onde viria a morrer em 1130.

A batalha foi decisiva e quem aí venceu foram sobretudo os senhores portucalenses que rejeitavam a influência dos Travas no condado, e manifestavam a sua opção por D. Afonso Henriques como seu chefe.

 

Vencida a batalha, D. Afonso Henriques assumiu claramente o governo do condado, com o objectivo claro de lhe firmar a independência. Para tal, definiu uma dupla política baseada, por um lado, na defesa do seu território contra Leão e Castela (a norte e a leste), e contra os mouros (a sul); por outro lado, na negociação com a Santa Sé, no sentido de ver reconhecida a independência do reino e de conseguir também a autonomia da Igreja portuguesa.

 

Dentro deste espírito, fundou o mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (1131), propiciando assim a reunião das dioceses portuguesas à metrópole de Braga, e mandou erigir numerosos castelos fronteiriços, datando de 1135 a fundação do castelo de Leiria, um dos pontos estratégicos para o desenvolvimento da Reconquista.

 

Em Cerneja, em 1137, D. Afonso Henriques venceu os leoneses e, em Ourique, na famosa batalha com o mesmo nome, a 25 de Julho de 1139, derrotou os mouros, passando então a intitular-se rei.

 

Em 1143, D. Afonso Henriques prestou vassalagem à Santa Sé e, nesse mesmo ano, na reunião de Zamora, D. Afonso VII de Leão reconheceu a realeza de D. Afonso Henriques. Porém, só em 1179, com a bula Manifestis Probatum, o papa Alexandre III designou D. Afonso Henriques como rei, concedendo-lhe também o direito de conquistar territórios aos mouros, e possibilitando-lhe deste modo o alargamento do seu território.

 

A partir da batalha de Ourique, a autonomia de Portugal tornou-se, cada vez mais, incontestada e fortalecida, sobretudo pela bula papal e pelo reconhecimento de Portugal como reino independente por parte do imperador de Leão e Castela e por outros reis da Península. D. Afonso Henriques conquistou entretanto Santarém (15 de Março de 1147) e Lisboa (24 de Outubro de 1147), com a ajuda de cruzados, estabelecendo assim o limite sul do Condado Portucalense. Tomaria ainda Almada e Palmela, que se entregaram sem luta, conquistando posteriormente, em 1159, Évora e Beja, que perderia pouco depois a favor dos mouros. A reconquista de Beja foi de novo possível em 1162, reocupando-se também Évora, com a ajuda de Geraldo Sem-Pavor, em 1165.

D. Afonso Henriques morreu em 1185, deixando a seu filho, D. Sancho I, um território perfeitamente definido e independente: não apenas um condado, mas já um verdadeiro reino.

(in  CD Multimédia Reis e Rainhas de Portugal - DN)

 

História para os mais novos:

 

D. Afonso Henriques

 

D. Afonso Henriques foi o primeiro rei de Portugal.

Fundou o reino de Portugal em 1143, quando o tornou independente dos reinos de Leão e Castela (ainda não existia a Espanha, na altura), fundando a primeira dinastia, a de Borgonha, que durou 244 anos.

Diz-se que D. Afonso Henriques era muito forte e alto, um facto pouco vulgar na época.
Sabias que a sua espada é tão pesada (com cerca de 15 quilos) que são precisos dois ou três homens para a levantar sem esforço e usá-la em combate?

 

O primeiro rei era filho de D. Henrique de Borgonha, que conquistou muito território aos muçulmanos.

Pela sua bravura, ele tinha sido recompensado com um grande território: o Condado Portucalense.

Como governava sozinho o Condado e tinha sido muito importante na reconquista aos mouros, D. Henrique quis tornar o Condado Portucalense independente.

Depois da sua morte, a sua mulher começou por seguir as suas ideias, mas começou a ser influenciada por um nobre castelhano.

Quem não gostou muito da ideia foi o D. Afonso Henriques, órfão desde muito novo, mas um grande admirador do pai.

Esta admiração foi-lhe transmitida pelo seu aio, o célebre Egas Moniz, que ficou encarregue da sua educação.

É então que decide lutar contra a mãe e contra os exércitos de Castela, na Batalha de S. Mamede, para tomar conta do Condado Portucalense transformá-lo num reino.

E conseguiu!...

 

 

Sabias que o jovem D. Afonso Henriques se armou a si próprio cavaleiro em 1122, quando tinha apenas 14 anos de idade?

 

A partir da batalha de Ourique, em 1139, a autonomia de Portugal tornou-se cada vez mais fortalecida e reconhecida por todos.

Conta-se que aconteceu um milagre durante esta Batalha, que levou os portugueses a vencerem um exército muito maior do que o seu.

Um documento do Papa (a bula), muitos anos depois, confirmou finalmente Portugal como reino independente.

O papa Alexandre III deu-lhe ainda o direito de conquistar territórios aos mouros para alargar o território nacional.

D. Afonso Henriques morreu em 1185, deixando ao filho, D. Sancho I, um território perfeitamente definido e independente: não apenas um Condado, mas já um verdadeiro Reino!


Fundação de Portugal

 

Antes de se tornar um país independente, Portugal era um pequeno território no norte da Península Ibérica e pertencia ao reino de Leão. Chamava-se Condado Portucalense.

 

O Condado Portucalense era uma parcela de terra que ia do rio Minho ao rio Douro.

Foi entregue a um nobre francês, de nome Conde D. Henrique de Borgonha, como recompensa de ter ajudado o rei de Leão na "Reconquista Cristã", ou seja, a reconquistar território aos mouros.

O seu senhor (o conde) tinha alguma autonomia e liberdade de movimentos apesar de continuar a prestar vassalagem ao seu rei.

O problema é que muitos dos senhores dos condados queriam ter mais autonomia e, talvez, até tornarem-se reis.

Assim, o Conde D. Henrique tentou tudo para conseguir maior autonomia para o seu território, apoiado por outros nobres.

Mas, em 1112, D. Henrique morreu: será que o seu esforço de tornar o reino independente morria consigo?

Felizmente, o seu filho Afonso Henriques (o futuro primeiro rei de Portugal) não queria deixar este sonho morrer e decidiu prosseguir com a política do pai.

Apesar de D. Afonso ser muito corajoso, a tarefa de tornar o condado independente foi muito complicada. Senão repara:

 

1. Era necessário combater o rei de Leão, a norte, para ficar com o território independente.

2. Era necessário alargar o condado para sul contra os muçulmanos - prosseguir a Reconquista.

3. E era preciso arranjar maneira que o futuro reino de Portugal fosse reconhecido pelos outros reinos, principalmente pelo Papa. É que, no século XI, o Papa era mais importante que os reis e todos respeitavam as suas decisões e opiniões.

 

 

Como já vimos, o nosso País teve um nascimento complicado...

 

D. Afonso Henriques tinha, então, entre outras, três tarefas principais a cumprir para atingir os seus objectivos. E ele procedeu deste modo:

 

1. Para combater o rei de Leão reuniu em torno de si os nobres portucalenses, também eles desejosos de independência. D. Afonso travou várias batalhas contra os exércitos leoneses.

Isso fez com que, finalmente, em 1143, no tratado de Zamora, o rei de Leão reconhecesse Afonso Henriques como rei de Portugal. Foi uma importante vitória.

 

2. Na luta contra os muçulmanos, a sul, as coisas também não foram fáceis. O avanço era muito lento e difícil porque o inimigo era muito forte.

Mas, em 1139, conseguiu uma vitória muito importante na batalha de Ourique, onde todas as possibilidades de ganhar estavam do lado dos mouros.

Sabias que a partir daí D. Afonso Henriques passou a intitular-se "rei de Portugal"? Entretanto, as suas conquistas foram prosseguindo e o território foi-se formando e crescendo.

 

3. E como se conseguiu o reconhecimento do Papa? Bom, isso foi só em 1179, através de uma bula chamada: Manifestis Probatum.

Era, enfim, o reconhecimento imprescindível para que Portugal passasse a ser uma nação independente.

Quando D. Afonso Henriques morreu tinha sido concretizado um sonho.

O reino estava formado (faltava apenas o Algarve), apesar de alguns contra-ataques muçulmanos; o rei de Leão reconheceu Portugal como reino independente e o Papa também.
As conquistas do resto do País e a definição total do território português prosseguiram com os herdeiros de D. Afonso Henriques. Mas foi só com D. Afonso III que se conquistou o Algarve, em 1249.

Como vês, a meio do século XIII, Portugal já tinha praticamente o mesmo território que actualmente.

 

 

Sabias que, por causa disso, Portugal é a nação com as fronteiras mais antigas da Europa?


Batalha de Ourique

 

Como já deves ter visto na escola, a Batalha de Ourique foi uma das mais importantes batalhas para a formação de Portugal como reino.

Mas será que sabes tudo sobre esta emocionante batalha e todas as suas curiosidades?
Pois lê com atenção!

 

Cristo, segundo a lenda, terá aparecido a D. Afonso  Henriques.

A Batalha de Ourique deu-se a 25 de Julho de 1139, algures no Alentejo. A tradição diz que terá sido perto da vila de Ourique, mas ninguém tem a certeza.

De certeza que já ouviste falar de todos os heroísmos desta batalha e também do "Milagre de Ourique", certo?

 

Mas será que tudo isto foi verdade?

Conta a tradição que em Maio de 1139, D. Afonso Henriques sai de Coimbra em direcção à fronteira do território já conquistado.

Conta-se que não terá encontrado defesas e que entrou pelo território inimigo adentro para enfrentar quem aparecesse com um poderoso comandante.

De cinco reinos mouros haviam chegado homens aguerridos, decididos a não deixar progredir o pequeno exército dos cristãos.

Apesar do exército muçulmano (que até incluía mulheres) ser muito mais poderoso do que o seu, D. Afonso Henriques enfrentou-o com bravura e acabou por vencer.

No fim da batalha, os cinco reis mouros estão mortos e o que resta das tropas mal tem tempo para fugir.

 

 

 

 

Sabias que se acredita que as cinco quinas da bandeira portuguesa são uma homenagem aos cinco reis derrotados nessa batalha?

 

Essas cinco quinas foram o primeiro símbolo a aparecer na bandeira portuguesa!

Depois da vitória dos exércitos lusitanos na Batalha de Ourique, D. Afonso Henriques é aclamado rei pela nobreza guerreira que assistiu à luta. Diz-se mesmo que foi a partir desse momento que passou a intitular-se rei!

No entanto, não existem relatos da época, nem mesmo mouros, que registem as vitórias e as derrotas.

Assim, tudo leva a crer que a maior parte do que é contado sobre a batalha pode ter sido exagerado para "dar mais glória" ao momento.

 

Um bom exemplo disso é o chamado "Milagre de Ourique"...

Conta a lenda que Jesus teria aparecido a D. Afonso Henriques dizendo-lhe que venceria a batalha e que depois seria rei.

É claro que também era uma boa desculpa para justificar as suas lutas pela independência do Condado Portucalense e conseguir mais facilmente a "autorização" do papa para ser rei.

Nos dias que correm, os historiadores acreditam que a Batalha de Ourique não passou de uma simples luta entre os cristãos e os muçulmanos, sem a grandeza das grandes batalhas da Reconquista.

A sua importância deve-se principalmente ao facto de D. Afonso Henriques e os seus homens a terem sabido usar muito bem a seu favor, de modo a fazer nascer Portugal.

in http://www.junior.te.pt

 

 

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

 

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