Figura portuguesa que maior impulso deu à expansão lusitana no Oriente.
Nasceu em Alhandra, provavelmente em 1462, no seio de uma família aristocrática,
tendo sido educado na corte de Afonso V.
Afonso de Albuquerque serviu no norte de África, em Arzila e Larache, e na
guarda de D. João II, antes de ser enviado para a Índia por D. Manuel, no ano de
1503, com seu primo Francisco de Albuquerque. O objectivo da Coroa com esta
viagem era claro: prosseguir a guerra contra o samorim de Calecute, mas,
sobretudo, fortalecer relações com o reino de Cochim e estabelecer relações
comerciais com o reino de Coulão. Alcançados estes propósitos, Afonso de
Albuquerque regressou a Portugal em 1504, altura
em que propôs a D. Manuel um plano imperial de
enorme envergadura, nomeadamente a conquista de
posições estratégicas no oceano Índico, na costa
indiana e no estreito de Malaca, de modo a vedar
o transporte das especiarias, pelos muçulmanos,
no mar Vermelho.
D. Manuel e os membros do seu Conselho terão acolhido com agrado a ideia, dado
que Afonso de Albuquerque regressou em 1506 ao Oriente, com o cargo de
capitão-mor do mar da Arábia, devendo em 1508 substituir D. Francisco de Almeida
no cargo de vice-rei da Índia. Conquistou então os portos de Omã, a cidade de
Ormuz e, em 1508, assumiu o governo da Índia, iniciando o plano de domínio do
Índico, para alcançar para a Coroa portuguesa o monopólio do comércio das
especiarias. Em 1510 apoderou-se de Goa, em 1511 de Malaca, onde fundou
fortaleza, para finalmente navegar pelo mar Vermelho.
D. Afonso de Albuquerque soube consolidar a soberania portuguesa no Oriente,
através de uma intensa actividade administrativa, política e diplomática,
recebendo embaixadas de reis indianos, fomentando o casamento de portugueses com
mulheres indígenas e procurando estabelecer a paz com os reinos conquistados.
Em Portugal iniciou-se, porém, na corte de D. Manuel, uma campanha de difamação
contra o vice-rei da Índia, que levou à sua substituição no cargo por Lopo
Soares de Albergaria.
D. Afonso de Albuquerque veio a morrer na barra de Goa, a 16 de Dezembro de
1515, deixando estabelecido no Oriente um verdadeiro império português.
(in História Universal de Portugal, Texto Editora)
História para os mais novos:
AFONSO DE ALBUQUERQUE
Afonso de Albuquerque foi uma figura muito importante na História de Portugal.
Foi vice-rei da Índia e foi ele que começou a construir o grande império que
Portugal teve no Oriente.
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Afonso de Albuquerque nasceu em Alhandra (no Ribatejo) em 1453. O seu pai era
Gonçalo de Albuquerque e pertencia à nobreza.
Como pertencia a uma família nobre, Afonso de Albuquerque foi educado na corte
de D. Afonso IV, onde estudou Matemática e Literatura.
De 1476 a 1495 aperfeiçoou as suas técnicas militares: acompanhou o futuro rei
D. João II nas suas campanhas militares ao Norte de África, combateu em Arzila e
Larache (terras no Norte de África) e fez parte da guarda de D. João II.
Em 1503, o rei D. Manuel I mandou-o para a Índia com o seu primo, Francisco de
Albuquerque, para tratarem dos interesses comerciais portugueses nessa região.
Para isso, era preciso dominar algumas cidades e portos importantes na Índia.
Foi o que Afonso de Albuquerque fez! Fundou uma fortaleza em Cochim, dominou Calecute e estabeleceu relações
comerciais com Coulão (Malabar, na costa ocidental da Índia).
Regressou a Portugal em 1504, cheio de ideias para fortalecer a presença dos
portugueses na Índia.
Como o comércio das especiarias era muito importante, a ideia de Afonso de Albuquerque era fundar fortalezas nos principais portos e cidades e, assim,
conseguir que os portugueses dominassem esse comércio.
D. Manuel I gostou da ideia e mandou-o de novo para a Índia em 1506. Com ele
levava uma carta secreta que dizia que ele seria o próximo vice-rei da Índia,
substituindo D. Francisco de Almeida quando este terminasse o seu mandato em
1508.
Conquistou Omã, Goa, Malaca e Ormuz e começou com o seu plano de miscigenação
(mistura) de portugueses e indianos, apelando ao casamento de marinheiros e
soldados portugueses com mulheres indianas, para que os laços entre os dois
países ficassem ainda mais fortes.
Morreu no dia 16 de Dezembro de 1515, quando regressava a Goa, deixando bem
fortes as bases do Império Português no Oriente.