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D. FERNANDO, O INFANTE SANTO

 

Infante português, oitavo e último filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre.

 

Recebeu, em 1422, o condado de Arraiolos e também o senhorio das vilas de Salvaterra de Magos e de Atouguia da Baleia, e, pela bula de 9 de Setembro de 1434, Sincere Devotionis, o mestrado da Ordem de Avis. Em 1434, recusou a mitra de cardeal proposta pelo papa Eugénio IV, por considerar não estar à altura de tal função.

 

Entre 1434 e 1436, já no reinado de D. Duarte, seu irmão, reacendeu-se a vontade de continuação da política expansionista   para  Marrocos   e,   nomeadamente,   para   a conquista de Tânger, mostrando-se então os infantes D. Fernando e D. Henrique adeptos convictos dessa empresa.

A expedição resultou num fracasso, obrigando D. Henrique a render-se ao inimigo a 12 de Outubro de 1437.

 

Infante D. Fernando. Nuno Gonçalves: Museu Nacional de Arte Antiga.

No dia 16 desse mesmo mês assinou-se um tratado de capitulação e paz entre Portugal e o senhor de Tânger, Sala Ben Sala, que previa a libertação do nosso exército, ficando porém o infante D. Fernando prisioneiro dos mouros até que Ceuta fosse restituída. Informado do sucedido, D. Duarte reuniu de imediato cortes (em Leiria, 1438) para resolver sobre o resgate de D. Fernando. A divergência de opiniões quanto à entrega de Ceuta era, porém, notória, o que foi atrasando a resolução do problema.

Entretanto, D. Fernando foi transferido para Tânger, posteriormente para Arzila, e, finalmente, para Fez. Acabaria por falecer no cativeiro, onde passou grandes privações e maus tratos, tendo-se tornado conhecido, após a sua morte, por Infante Santo, pelo imaginário e pela crença popular.

 

Deve-se a D. Afonso V a vinda dos restos mortais do infante para Portugal, após a conquista de Tânger em 1471, os quais foram então trasladados para o mosteiro da Batalha.

(in História Universal de Portugal, Texto Editora)

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

 

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