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O MOSTRENGO
Equivalente a ADAMASTOR, n' Os Lusíadas, que era o nome de um dos gigantes ou
titãs mitológicos, filhos da Terra, que se rebelaram contra Júpiter e
pretenderam escalar o Olimpo.
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Foram, porém, vencidos e castigados pela sua
audácia. Na verdade, fulminando-os com os seus raios, Júpiter colocou-os debaixo
de montes vulcânicos.
N' Os Lusíadas (Canto V, 37-60), Camões apresenta-o metamorfoseado no
Cabo das Tormentas (Eu sou aquele oculto e
grande cabo), chamado depois da Boa Esperança. |
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Surge como criação maravilhosa, a corporizar, a simbolizar, a quase
intransponível força do mar.
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Ameaçando os Portugueses com "naufrágios, perdições
de toda a sorte/ Que o menor mal de todos seja a morte", representa as forças
cósmicas adversas que o homem terá de vencer se quiser libertar-se da lei da
morte e a predição da história trágico-marítima que se lhe seguiria: naufrágios
de Bartolomeu Dias (seu descobridor), de D. Francisco de Almeida, primeiro vice-rei da
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Índia e de Manuel de Sousa Sepúlveda, sua mulher e
companheiros.
Todos encontraram naquele local a
morte, sendo tristemente famoso o naufrágio de Manuel de
Sousa Sepúlveda.
Situado no momento central do Poema e no meio do Canto a que pertence, o
episódio do Gigante Adamastor funciona como centro onde confluem as grandes
linhas da epopeia: o real / o maravilhoso (dificuldades e perigos
da navegação
do mar, sobretudo na passagem do Cabo,ligados a lendas ou mitos),o lirismo
amoroso (história
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de Amor
fracassado - o drama amoroso deste titã pode
simbolizar ou evidenciar a ideia de que o amor
possessivo, o erotismo forçado, só pode levar à
destruição) e a existência de profecias
(histórias de Portugal).
A sua destruição completa, e a consequente passagem de herói a anti-herói,
aparece em contraposição com a ascensão da heroicidade dos Portugueses, que,
paulatinamente, vão ultrapassando os seus medos até se guindarem ao patamar de
verdadeiros heróis. |
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Publicado por
Joaquim Matias da Silva
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