(Pregado na
cidade de S. Luís do Maranhão, em 1654)
PARTE I
CONCEITO PREDICÁVEL:
"Vos estis sal terrae" (="Vós sois o sal da
terra"), Mat. 5, 13
EXÓRDIO
Metáfora: Sal = Pregador
(deverá ter como modelo Santo António)
Função do
sal (= pregador): impedir a corrupção na terra,
louvando o Bem e repreendendo o Mal)
conservando o são
e
preservando-o, para que se não corrompa.
MAS A TERRA ESTÁ CORRUPTA. De quem é,
então, a culpa?
Hipóteses:
1. Do SAL ( = do Pregador) que não salga, porque
2. Da TERRA (= dos ouvintes), que
se não deixa (m) salgar,
porque
os pregadores não pregam a verdadeira doutrina.
os
pregadores não cumprem o que dizem.
os pregadores pregam-se a
si mesmos e não a Cristo.
os ouvintes não querem receber a verdade.
os ouvintes querem imitar o que os pregadores
fazem
e não o que dizem.
os ouvintes servem os seus apetites e não a
Cristo.
QUE FAZER COM O(s)
CULPADO(s)?
Hipóteses:
1. Se o sal
não salga "para nada mais serve senão para se
lançar fora e ser calcado pelos
homens ". De igual forma, se o pregador não
pregar a verdadeira doutrina nem der um
exemplo edificante, então é "merecedor de
todo o desprezo" - deve ser "metido
debaixo
dos pés o (aquele) que com a palavra ou
com a vida prega o contrário."
2. Se a terra
(=os ouvintes) se não deixa(m) salgar, siga-se o
exemplo de Santo António, que em Arimino (actual
Rimini, em
Itália, cidade que ficou famosa no tempo de
Santo António pela quantidade de hereges que aí
havia) começou a pregar aos PEIXES, que eram
bons ouvintes e não falavam!... Ao contrário dos
homens...
PANEGÍRICO (=
elogio) A SANTO ANTÓNIO
Santo
António, um dos doutores da Igreja, é superior a
todos eles, porque "Os outros Santos Doutores da
Igreja foram sal da terra, S. António foi sal da
terra, e foi sal do mar".
INVOCAÇÃO À
VIRGEM
A exemplo de
Santo António, também o Padre António Vieira,
desgostoso pelo facto de os homens não ouvirem a
doutrina "muito clara, muito sólida, muito
verdadeira" que lhes prega "de manhã, e
de tarde, de dia, e de noite", vai ser "sal
do mar", pregando aos peixes, depois de uma
invocação à
Vigem,
a Domina Maris (= a Senhora do Mar).
Talvez também tenha interesse em ver comentáros
de poemas e estudos integrais de todas as obras e
autores que fazem parte dos programas de
Português e de Literatura Portuguesa dos 9.º ao
12.º anos de escolaridade.