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Sermão de Santo António aos Peixes

 

PARTE IV

(

ICTIOFAGIA E ANTROPOFAGIA SOCIAL

 

 

                                                                                                                        REPREENSÕES AOS PEIXES, EM GERAL

                                       

 

ICTIOFAGIA
 

   Os peixes comem-se uns aos outros.

 

São os grandes que comem os pequenos.

 

 

Também os homens se comem uns aos outros (ANTROPOFAGIA SOCIAL)

 

Com efeito:
 

 

DEPOIS DE MORTOS, comem-      no:

 

os herdeiros,

 

  os testamenteiros,
 

os legatários,
 

os acredores,
 

os oficiais dos órfãos e os dos

      defuntos e ausentes,
 

o médico,
 

o sangrador,
 

a mulher,
 

o coveiro,
 

o tocador dos sinos,
 

os que o acompanham ao

      cemitério.

 

Assim,

 

"AINDA O POBRE DEFUNTO O NÃO COMEU A TERRA, E JÁ O TEM COMIDO TODA A TERRA".

 

ANTES DE MORREREM (ex: o homem que anda perseguido de pleitos ou acusado de crimes), comem-no:
 

o meirinho,
 

o solicitador,
 

o advogado,
 

o inquiridor,
 

a testemunha,
 

o julgador.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assim, 

 

"AINDA NÃO ESTÁ SENTENCIADO E EXECUTADO E JÁ ESTÁ COMIDO".
 

 

Por isso, são piores os homens que os corvos. É que estes últimos só comem a sua presa depois de morta!...

 

Entretanto, tal como os peixes, também são os homens grandes (os que "têm o mando das cidades e das províncias") que comem os pequenos. Efectivamente, a plebe e os plebeus são o seu sustento, o seu pão, que, ao contrário dos outros comeres (carne, peixe, frutas), é comido todos os dias e com tudo...
 

Ora, este comportamento miserável dos peixes e dos homens é castigado por Deus, porque há sempre um peixe ou um homem maiores que comem o comedor.

 

 

 OS PEIXES SÃO IGNORANTES E CEGOS, pois
 

 

  deixam-se enganar facilmente pela isca do anzol.

 

 

De igual modo, no reino dos humanos, também a vaidade, a ganância, a ambição desenfreada, a cobiça, o dinheiro, o poder e o desejo de ter mais e mais, tiram o discernimento e a vista aos homens, que se deixam perder pelo materialismo do século. De maneira diferente procedeu Santo António, que trocou as riquezas, o poder material, pela sarja, ou seja, pelo poder espiritual.

 

 

Elaborado por

Joaquim Matias da Silva

 

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