|
|
EUGÉNIO DE
ANDRADE
|
Caraterísticas da sua poesia
Poesia flash, de poemas
breves, de versos breves, de frases breves. Por vezes ,
um ou dois versos
são capazes de conter todo o universo.
|
Poesia cristalina, que valoriza a palavra,
quer no seu valor imagético-simbólico, quer
rítmico, sendo a musicalidade um dos
aspetos mais marcantes,
aproximando-a, assim, do lirismo primitivo da poesia
galego-portuguesa ou, mais recentemente, do simbolismo
de Camilo Pessanha.
Poesia que apela sempre para o alto e para a luz.
Poesia que nunca esquece, porém, o peso da sombra do
mundo, os seus obscuros domínios, que tenta enfrentar e
iluminar.
Poesia em que o poeta procura a unidade primordial, na
relação Homem/Natureza.
Poesia eminentemente oral e coloquial.
Poesia com uma linguagem simples e concreta, franca, mas
insinuante, revestida com imagens e metáforas
elementares.
Poesia onde a simbologia dos quatro elementos
primordiais - fogo, terra, água e ar - é uma constante.
Não vemos na sua poesia:
O religiosismo barato, piegas ou beato.
Marcas fadistas ou saudosistas.
O tom declamatório ou reclamatório de outros escritores.
Obediência cega a uma escola ou movimento artístico,
embora possamos encontrar influências modernistas e
surrealistas, influências medievais e populares,
confluindo todas elas para uma originalidade espantosa.
Vemos, porém:
Uma poesia que luz e seduz, porque:
* É muito comunicativa.
*
É intimista e coloquial.
*
Parte da terra, mas cria
uma dinâmica ascensional.
* Ancora num tempo
quotidiano, feito de mudanças que passam do Verão para o
Inverno, mas que proclamam sempre a primazia do calor e
da luz.
*
Tem personagens
luminosas, delas se destacando as figuras da mãe, da
criança, do pastor, de bichos domésticos ou amigos do
homem, mas sobretudo dos amantes, dos que sentem o peso
do corpo.
Uma poesia cujo tema favorito é o amor, sobretudo nas
suas vertentes de plenitude.
Uma poesia que dá voz aos mais desfavorecidos e que
implica a sociedade, sem deixar, contudo, de ser alegre
e positiva.
Uma poesia que dá voz aos mais desfavorecidos e que
implica a sociedade, sem deixar, contudo, de ser alegre
e positiva.
Uma poesia onde, na relação Homem/Natureza, o poeta
procura a unidade original, a pureza essencial.
Uma poesia em que há incidência nas ligações corpo -
escrita - terra.
Esta interação corpo - escrita - terra tem a sua
explicação lógica: a terra é a origem do Homem e nela os
sentidos despertam, o seu corpo realiza-se; para
exprimir as sensações, as emoções e os sentimentos desta
presença na terra, o ser humano precisa de palavra. Daí Eugénio de Andrade assumir-se como poeta da terra,
cantando-a como sinónimo de vida. Na terra, o homem e a
mulher amam-se, o corpo cresce e a esperança no futuro
brota. Na terra aprende-se a vida, mesmo quando a
liberdade não circula. A escrita poética, graças às
palavras exatas, permite animar o corpo que se confunde
com o ritmo da terra. A harmonia cósmica é, assim,
iluminada pela palavra, que permite revelar o corpo, ser
voz do Homem, comunicar a vida.
Uma poesia onde a terra, o campo e a natureza surgem
como lugares de harmonia, de encontro, enquanto a cidade
é apresentada como o lugar de opressão, de conflito, de
morte, contra os quais se levanta a escrita combativa do
poeta.
Uma poesia onde a uma visão eufórica do tempo
contrapõe-se o sentimento doloroso provocado pelo
envelhecimento, pela consciência da aproximação da
morte.
Uma poesia que privilegia a evocação da energia física,
material, a plenitude da vida e dos sentidos e que se
liga à adolescência e à idade madura, caraterizando-se
pela presença dos temas do erotismo e da natureza. Daí o
autor assumir-se como o «poeta do corpo».
Veja também as
grandes linhas ideológicas
da poesia de Eugénio de Andrade.
Publicado
por
Joaquim
Matias da Silva
Início da página
|