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EUGÉNIO DE
ANDRADE
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As grandes linhas ideológicas da sua poesia
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A dignificação do Homem:
A dignidade do Homem passa pela
sua capacidade e coragem de mostrar, revelar e contar as
experiências da vida, e dar a sua opinião acerca delas,
quer estas sejam boas ou más, fascinantes ou
intoleráveis para os outros.
A ele interessa-lhe a dignidade Humana de quem sabe
reconhecer-se e dar a ver aquilo que viu, de quem
procura a verdade.
A dignificação da Natureza:
Eugénio de Andrade convoca
os quatro elementos primordiais do universo, como
vimos. A terra surge como um berço, escola de
aprendizagem e lugar de realização. Símbolo do ventre
materno e da fertilidade, a terra é corpo, segurança e
perfeição criadora. Aí o poeta reencontra a mãe. Esta e
o seu falar trazem-lhe o paraíso da infância, a quentura
e a intimidade com a terra. O vento, a luz, as fontes e
os rios, a areia, os barcos e os peixes, os animais, as
flores e os frutos, ou as árvores, são frequentemente
metáfora do corpo e do toque amoroso.
A dignificação da Palavra:
Em Eugénio de Andrade, a
palavra faz parte da magia, permitindo-lhe traduzir e
provocar emoções. Tanto serve para exprimir o alvoroço e
a inquietação como para revelar memórias e exteriorizar
nostalgias ou para a demanda do lugar exato do Homem,
numa harmonia consigo e com o universo inteiro. Usa,
especialmente, as palavras primeiras e essenciais ou,
como o próprio afirma, "palavras maternas". Por isso, a
poesia é apenas um "ofício de paciência", e as palavras
são veículos privilegiados de emoções e estados de
espírito, sempre cheias de poder.
Veja também as
caraterísticas principais
da poesia de Eugénio de Andrade.
Publicado
por
Joaquim
Matias da Silva
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