Camilo Castelo Branco
Fernando Pessoa
José Saramago
Sttau Monteiro
Outros
Outros Autores
 

OS MAIAS - Personagens

 

- CARLOS Eduardo DA MAIA -

 

Carlos é objecto de uma caracterização essencialmente indirecta, dinâmica, em que os atributos da personagem são apreendidos gradualmente, à medida que a sua actuação no decurso da acção o vai permitindo (o que contradiz a estética naturalista, segundo a qual os tipos deviam ser exaustivamente dissecados).

O único aspecto que é objecto de atenção mais sistematizada do narrador é o físico: Carlos era um "formoso e magnífico moço, alto, bem feito, de ombros largos, com uma testa de mármore... " (p. 96).

 

Recebeu uma educação inovadora, tipicamente inglesa, em que é privilegiada a vida ao ar livre, o contacto com a natureza, o exercício físico, a aprendizagem de línguas vivas, o desprezo pela cartilha e por todo o conhecimento exclusivamente teórico. Gozando de uma situação de desafogo económico evidente, Carlos torna-se um diletante e um dândi, sendo notórios o seu bom gosto, a sua atracção por ambientes sobriamente luxuosos e os seus hábitos culturais sofisticados.

 

Toda a acção gira em torno de Carlos. A Afonso da Maia e a Pedro da Maia são atribuídos apenas os dois capítulos iniciais, ou seja, aqueles em que são relatados os antecedentes familiares de Carlos.

Sendo, uma personagem que ocupa um lugar de destaque, como vimos, acaba, no entanto, por não se adaptar ao meio, revelando-se como um falhado, um fraco, um romântico (só o não foi na solução realista final encontrada para os seus problemas), situação tremendamente frustrante e até chocante, tendo em conta a educação recebida.

 

Em termos sintéticos, dir-se-á que a narrativa, no que se refere a esta personagem, compreende as seguintes etapas: a época da formação de Carlos (cap. III), os seus estudos em Coimbra (cap. IV), a vida social em Lisboa e a sua intriga (caps. IV a XVII), o seu regresso a Lisboa, não para se reinstalar, mas para a apresentação de significados simbólicos e ideológicos (cap. XVIII). Mais se dirá que se destacam, na sua personalidade, características como o cosmopolitismo, a sensualidade, o luxo, o diletantismo e o dandismo.

 

 

Carlos e Maria Eduarda no Ramalhete.

 

Educado de forma esmerada, fracassou. Porquê? Não foi por causa da sua educação, mas apesar da sua educação, se bem que o problema de uma educação baseada apenas em valores físicos e intelectuais, desprezados alguns aspectos espirituais, mereça uma reflexão atenta. Falhou em parte por causa do meio onde se instalou - uma sociedade parasita, ociosa, fútil, sem estímulos -, e em parte devido a aspectos hereditários - a fraqueza e a cobardia do pai, o egoísmo, a futilidade e o espírito boémio da mãe.

 

Ver educação de Carlos da Maia versus Eusebiozinho.

 

Obs: as páginas indicadas referem-se à obra de Eça de Queirós, Os Maias (Episódios da Vida Romântica), Edição Livros do Brasil, de acordo com a primeira edição (1888). Lisboa

 

Joaquim Matias da Silva

 

Voltar

Início da página

 

© Joaquim Matias 2009

 

 

 

 Páginas visitadas