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GIL VICENTE

 

- O teatro medieval -

 

O teatro vicentino não nasce, claro, do nada. Desde sempre que o homem teve necessidade de daramatizara as suas aventuras, as suas desventuras, os seus desejos de criticar, amofinar ou satirizar os outros. Também na Idade Média já havia apresentações teatrais, ligadas à corte, à igreja e também às festividades populares.

Os jograis e as jogralesas foram os primeiros atores de arremedilhos ou jogos de escarnho (arremedo de pessoas ou factos), ainda nos finais do sec. XI.
 

 

No sec. XII, com D. Sancho I, já há arremedilhos (representações cénicas) com os bobos e os truões, neste caso chamava-se Bonamis e Acompaniado.
 

Existem também “momos”, figurações espetaculares de animais e pessoas. Num destes momos entrou o próprio rei D. João II, como cavaleiro do Cisne.
 

O profano invade, entretanto, o sagrado, pelo que não admira que tenhamos testemunhos (do bispado de Évora, Porto e Lisboa) proibindo os abusos. Assim, passou a ser terminantemente interdito que se comesse, cantasse ou dançasse no adro das igrejas. Apenas se permitiam no coro ou no adro da Igreja representações devotas.

 

As representações religiosas podiam assumir a forma de:


  Mistérios – com passagens da vida de Cristo;
Moralidades – representações alegóricas de defeitos e qualidades;
Milagres – apresentação cénica de episódios da vida de santos e da Virgem;
As farsas – os sermões burlescos, jogos ou autos. Destes temos notícias entre nós, mas dos restantes nada consta, a não ser as proibições da igreja a que já fizemos menção.
 

No Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, há sátiras dramatizadas. O próprio Gil Vicente terá sido colaborador numa dessas tentativas dramáticas: “O Processo de Vasco Abul”.

 

O Processo de Vasco Abdul combina a estrutura dramática com a estrutura de torneio poético: Vasco Abdul queixa-se à Rainha de uma moça a quem dera, enquanto bailava, por brincadeira, um colar de ouro, que desejava ver restituído. Depois do cómico gerado pela exposição da situação, o "processo" desenvolve-se com a intervenção de "ajudadores" de defesa ou de embargo, entre os quais figuram, por exemplo, o próprio Anrique da Mota e Gil Vicente.

Anrique da Mota em O Processo de Vasco Abdul, fustiga como motivos principais a avareza, a ambição e a penúria do reino.
 

Como fontes vicentinas, realça-se o castelhano Juan del Encina.

F


 

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

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