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Fernando Pessoa

 

Primeiro: ULISSES (s.d.)

ULISSES

 

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

 

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

 

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.

 

 


Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934

(Lisboa: Ática, 10ª ed., 1972).

 

Comentário ao poema

 

 

 

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

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