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Fernando Pessoa
 

 

 Segundo: O QUINTO IMPÉRIO (21-2-1933)

 

O QUINTO IMPÉRIO

 

Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!
 

Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz -
Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem!

E assim, passados os quatro
Tempos do ser que sonhou,
A terra será teatro
Do dia claro, que no atro
Da erma noite começou.

V


Grécia, Roma, Cristandade,
Europa - os quatro se vão
Para onde vai toda idade.
Quem vem viver a verdade
Que morreu D. Sebastião?

 

Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934

(Lisboa: Ática, 10ª ed., 1972).

 

 

 

Comentário ao poema

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

 

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