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FREI LUÍS DE SOUSA -
ACTO III
CENA IX
MADALENA, JORGE, coro dos
frades (dentro)

Madalena
‑ Ouve, espera: uma só,
uma só palavra, Manuel de Sousa!... (toca o órgão
dentro)
Coro
(dentro)
‑
De profundis clamavi
ad te, Domine; Domine, exaudi vocem meam.
Madalena
(indo abraçar‑se com a
cruz)
‑ Oh
Deus, Senhor
meu! pois já, já? nem mais um instante, meu Deus? Cruz
do meu Redentor, oh cruz preciosa, refúgio de infelizes,
ampara‑me tu, que me abandonaram todos neste mundo, e já
não posso com as minhas desgraças... e estou feita um
espectáculo de dor e de espanto para o céu e para a
terra! Tomai, Senhor, tomai tudo... A minha filha
também?... oh! a minha filha, a minha filha... também
essa vos dou, meu Deus. E agora, que mais quereis de
mim, Senhor? (toca o órgão outra vez)
Coro
(dentro)
‑
Fiant aures tuae intendentes; in vocem deprecationis
meae.
Jorge
‑ Vinde, minha irmã, é a
voz do Senhor que vos chama. Vai começar a santa
cerimónia.
Madalena
(enxugando as lágrimas e
com resolução)
‑ Ele foi?
Jorge
‑ Foi sim, minha irmã.
Madalena
(levantando‑se)
‑
E eu vou. (Saem ambos
pela porta do fundo.)
Joaquim
Matias da Silva
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