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FREI LUÍS DE SOUSA - ACTO II

 

CENA IV

 

MARIA, MANUEL DE SOUSA e JORGE

 

Jorge

‑ Ora alvíssaras, minha dona sobrinha! Venha‑me já abraçar, senhora D. Maria. (Maria beija‑lhe o escapulário; e depois abraçam‑se). Inda bem que vieste, meu irmão! Está tudo feito: os governadores deixam cair o caso em esquecimento; Miguel de Moura já cedeu. O arcebispo foi ontem a Lisboa e volta esta tarde. Vamos eu e mais quatro religiosos nossos buscá‑lo para o acompanhar. E tu hás‑de vir connosco para lhe agradecer; que não teve parte no agravo que te fizeram, e foi quem acabou com os outros que se não ressentissem da ofensa ou do que lhes prouve tomar como tal... deixemos isso. Volta para o convento e quase que vem ser teu hóspede; é preciso fazer‑lhe cumprimento, que no‑lo merece.

Manuel

‑ Se ele vem só, sem os outros...

Jorge

‑ Só, só; os outros estão por essas quintas d' aquém do Tejo. E nós não chegamos aqui senão lá por noite.

Manuel

‑ Se entendes que posso ir...

Jorge

‑ Podes e deves.

Manuel

‑ Vou decerto. E até eu preciso de ir a Lisboa: tenho negócio de importância no Sacramento, no vosso convento novo de freiras abaixo de S. Vicente; necessito falar com a abadessa.

Maria

‑ Oh, meu pai, meu querido pai, levai‑me, por quem sois convosco. Eu queria ver a  tia Joana de Castro; é o maior gosto que posso ter nesta vida. Quero ver aquele rosto... De mim não se há‑de tapar...

Manuel

‑ E tua mãe?

Maria

‑ Minha mãe dá licença, dá. Ela já está boa... oh, e em vos vendo fica boa de todo, e eu vou.

 

Manuel

‑ E os ares maus de Lisboa?

Jorge

‑ Isso já acabou de todo; nem sinal de peste. Mas, enfim, a prudência...

Maria

‑ A mim não se me pega nada. Meu querido pai, vamos, vamos.

Manuel

‑ Veremos o que diz tua mãe, e como ela está.

Joaquim Matias da Silva

 

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