Monarca português, nasceu em
Lisboa em 22 de Outubro de 1689 e morreu em Lisboa em 31
de Julho de 1750, estando sepultado em São Vicente de
Fora. Era filho de D. Pedro II, a quem sucedeu, e de D.
Maria Sofia de Neuburgo.
Foi jurado príncipe herdeiro em 01
de Dezembro de 1697, por morte de seu irmão mais
velho, e, em Dezembro de 1706, subiu ao trono,
embora só tenha sido solenemente aclamado como
24.º rei português no dia 01 de Janeiro de 1707.
O seu reinado, que durou até à sua morte em
1750, foi um dos mais longos da História
portuguesa.
Na «História de Portugal», volume
V, página 234, Veríssimo Serrão afirma que ele «era
senhor de uma vasta cultura, bebida na infância com os
padres Francisco da Cruz, João Seco e Luís Gonzaga,
todos da Companhia de Jesus.
Falava
línguas, conhecia os
autores clássicos e modernos, tinha boa cultura
literária e científica e amava a música. Para a sua
educação teria contribuído a própria mãe, que o educou e
aos irmãos nas práticas religiosas e no pendor
literário.» E a seguir acrescenta: «Logo na cerimónia da
aclamação se viu o pendor régio para a magnificência.
Era novo o cerimonial e de molde a envolver a figura de
Dom João V no halo de veneração com que o absolutismo
cobria as realezas.»
D. João V seguiu uma política de
neutralidade em relação aos conflitos europeus mas
empenhou-se fortemente na defesa dos interesses
portugueses no comércio ultramarino, de que foi exemplo
o Tratado de Utreque (1714), em que a França e a Espanha
reconheceram a soberania portuguesa sobre o Brasil. Esta
neutralidade foi possível devido à riqueza do reino
proveniente da exploração das minas de ouro brasileiras.
D. João V pretendeu, à semelhança dos outros monarcas
europeus, imitar Luís XIV. Defensor do absolutismo, não
reuniu as Cortes uma única vez durante o seu reinado.
Teve como principal ministro e homem de confiança o
cardeal da Mota.
Casou a 9 de Julho de 1708 com D.
Maria Ana Josefa , arquiduquesa da Áustria (1683-1754),
irmã do imperador austríaco Carlos III, de quem teve a
seguinte descendência:
* Maria Bárbara de
Bragança (1711-1758),
Rainha de Espanha (casou com Fernando VI
de Espanha);
* Pedro de Bragança,
príncipe do Brasil (1712-1714);
* José I,
Rei de Portugal (1714-1777);
* Carlos de Bragança
(1716-1736);
* Pedro III,
Rei de Portugal (1717-1786);
* Alexandre de Bragança
(1723-1728).
De entre as muitas filhas ilegítimas a mais referida é Maria Rita de Bragança, nascida de
Luísa Clara de Portugal.
Devido às grandes obras que
promoveu no campo da arte, da literatura e da ciência,
ficou conhecido por "o Magnânimo"ou "o Rei-Sol
Português", também em virtude do luxo de que se revestiu
o seu reinado. Alguns historiadores
atribuem-lhe, ainda, o cognome de "o Freirático", graças à sua
conhecida apetência sexual por freiras, tendo ficado
célebre a sua relação com a Madre Paula, do convento de
Odivelas, de quem terá tido vários filhos, entre eles
Gaspar de Bragança, um dos
Meninos da Palhavã.
CULTURALMENTE, o reinado de D.
João V tem aspectos de interesse. O barroco joanino
(adjectivo derivado do próprio nome do rei) manifesta-se
na arquitectura, mobiliário, talha, azulejo e
ourivesaria, com grande riqueza. No campo filosófico
surge Luís António Verney com o Verdadeiro Método de
Estudar e, no campo literário, António José da Silva.
Ainda no domínio cultural, merecem
destaque
especial a Real Academia Portuguesa de História, fundada
em 1722, e a introdução da ópera italiana, em 1731. D.
João V desenvolveu também as artes menores (talha,
azulejo e ourivesaria, já acima referidas) e as artes maiores, através de
vários pintores e escultores que se deslocaram de Itália
para trabalhar em Lisboa e Mafra.
NAS OBRAS PÚBLICAS, com as
riquezas que provinham do Brasil (dezenas e dezenas de
toneladas de ouro e um número incalculável de
diamantes), D. João V mandou construir monumentos
de grande imponência, salientando-se:
* O Palácio-Convento de Mafra, construído em acção de graças
pelo nascimento do seu primeiro filho, afirmou-se como o
mais importante monumento do barroco português. O
projecto e a direcção da obra estiveram a cargo de João
Frederico Ludovice, ourives alemão, com formação de
arquitectura em Itália. As obras iniciaram-se em 1717 e
a 22 de Outubro de 1730, dia do 41º aniversário do rei,
procedeu-se à sagração da basílica. Até esta sagração,
as obras duraram, portanto, 13 anos e nelas terão
trabalhado, em média, diariamente, 25 000 operários,
chegando a um pico de cerca de 50 000, nos meses
anteriores ao da supramencionada sagração, tendo havido
necessidade de se proceder a uma mobilização geral dos
homens do reino. Entretanto, na sua
globalidade, o Convento de Mafra só foi concluído em
1770.
Mafra: ao fundo, o complexo do
Palácio-Convento de Mafra, com a basílica, ao centro, o
paço real e a secção conventual propriamente dita.
A parte da frente tem 220 metros
de comprimento!...
* O Aqueduto das Águas Livres, que
serviu para o regular abastecimento de água de Lisboa,
trazendo a água de Belas, começou a ser construído em
1731, embora só se assistisse à sua conclusão 21 anos
depois, já sob o reinado de D. José I de Portugal.. Tem 60 quilómetros de comprimento e 127 arcos
em toda a sua extensão. Ao longo do aqueduto
encontram-se torres quadradas com uma
janela.
Aqueduto das Águas Livres
* A Igreja dos Clérigos, de
Nicolau Nasoni.
* A Igreja das Necessidades.
* A Capela de S. João Baptista, na Igreja de
S. Roque, em Lisboa.
* A Basílica Patriarcal de Lisboa.
* A Casa da Moeda e outras.
Muitas destas obras deram o nome a um período da história da
arte portuguesa designado Barroco Joanino.
PROTECÇÃO À AGRICULTURA, AO COMÉRCIO E À INDÚSTRIA - D.
João V desenvolveu a agricultura e o repovoamento
florestal. Desenvolveu o comércio. Renovou fábricas antigas e criou outras
como a fábrica de papel na Lousa; de vidros em Coina,
depois transferida para a Marinha Grande;
indústrias de lã nos Açores; fundou o Arsenal de Lisboa
para a construção de navios; protegeu a fábrica de
lanifícios da Covilhã; criou fábricas de curtumes.
A CULTURA ARTÍSTICA -
Fundação da Academia de Portugal, em Roma, para a
preparação de artistas portugueses; criação da Aula do
Risco, no Convento de Mafra, para formar arquitectos e
desenhadores; criação da Aula de Música, em Lisboa;
protecção às artes decorativas, à tapeçaria, à
marcenaria artística, à pintura e à ourivesaria.
A CULTURA LITERÁRIA -
Fundação da Biblioteca da Universidade de Coimbra; da
Biblioteca do Convento de Mafra; da Academia Real de
História.
A CULTURA CIENTÍFICA -
Criação de uma Aula de Cirurgia, no Hospital de
Todos-os-Santos, em Lisboa; de um Museu de História
Natural, no Palácio Real; construção de um Observatório
Astronómico, no Colégio de Santo Antão. Convidaram-se
professores italianos para o ensino das Matemáticas.