Despreza Portugal, que
considera um país provinciano, pequeno e inculto
(p. 55), ao mesmo tempo que enfatiza a sua
própria superioridade e a do país que o viu nascer - a Inglaterra.
Tem um sentido crítico apurado, resultante,
certamente, do seu distanciamento emocional de um povo
que não é seu: despreza o clero que trata por “seita”
(p. 63); acusa o país de intriguista e de nele
proliferarem as traições (p. 63); sorri da corrupção e
da denúncia que aí grassam (p. 44), embora recorra a
essas mesmas armas; critica a situação socioeconómica e
cultural portuguesa (pp. 56-57).
É um autêntico mercenário, mas não tem relutância em
reconhecê-lo (p. 58).
O seu ódio por Gomes Freire resulta do facto
de ver nele um dos poucos portugueses capazes de
lhe retirarem o poder por mérito próprio
(p.64).
É cínico, insensível e arrogante, quando Matilde se
lhe dirige (pp.92-99).
Personagem controversa, é
coerente com os seus minguados escrúpulos ao assumir,
desassombradamente, o processo de Gomes Freire, não como
um imperativo patriótico ou militar, mas apenas motivado
por interesses individuais: a manutenção do seu posto e
da sua tença anual (pp.63-64).
A sua posição face a toda a
trama que envolve Gomes Freire é nitidamente de
distanciamento crítico e irónico, acabando por revelar a
sua antipatia face ao catolicismo caduco e ao exercício
incompetente do poder, que marcam a realidade
portuguesa.