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CAMILO
CASTELO BRANCO
BREVE
RESENHA BIBLIOGRÁFICA
Camilo Castelo Branco foi um dos maiores polígrafos da
literatura portuguesa. Com efeito, legou-nos centenas de
volumes. Muitas vezes, levado pelo encargo das dívidas,
viu-se obrigado a escrever, mais por encomenda dos
livreiros, e segundo o
gosto do público, do que por
inspiração, repisando então os mesmos temas e nem sempre
trabalhando da melhor maneira a estrutura de bastantes
novelas. Cultivou os mais diversos géneros – poesia,
teatro, conto, romance, crítica
literária, investigação histórico-genealógica,
polémica, jornalismo – mas a sua pena
criadora notabilizou-o sobretudo como novelista.
Num estilo todo vernáculo de gema, vivo, comunicativo,
natural, cheio de cor e com frases de fino recorte
literário, brotou de Camilo, quase sempre de forma
genial, um espólio literário deveras notável.
Para não tornar muito fastidiosa esta breve resenha,
limitamo-nos a enumerar algumas dos seus trabalhos mais
conhecidos:
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Poesia herói-cómica:
Os Pundonores Desagravados (1845).
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Poesia satírica:
O Juízo Final e O Sonho do Inferno (1845).
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Poesia lírica:
Inspirações (1851).
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Panfletos polémicos e políticos:
- Maria, não Me Mates Que Sou Tua Mãe!
(1848),
- A Murraça (1848),
- O Caleche (1849),
- O Clero e o Sr. Alexandre Herculano (1950).
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Teatro:
- dramas históricos: Agostinho de Ceuta (1847);
- dramas passionais: Abençoadas Lágrimas ( 1861);
- comédias de costumes: O Morgado de Fafe em Lisboa
(1861).
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Crítica e história literárias:
- Esboços de Apreciações Literárias (1865);
- A Lira Meridional (1986/87);
- Curso de Literatura Portuguesa (1876).
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Estudos genealógicos e investigação histórica:
- Perfil do Marquês de Pombal (1882);
- D. Luís de Portugal, Neto do Prior do Crato
(1883);
- Maria da Fonte (1884).
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Jornalismo
(folhetins, trabalhos de direcção e redacção).
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Traduções.
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Epistolografia:
Correspondência Epistolar entre José Cardoso Vieira
de Castro e Camilo Castelo Branco (1973 - 74).
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Literatura novelística
(contos, novelas, romances), assim distribuída:
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Romance negro ou de “ terror grosso” (com as
seguintes características: melodramatismo, ambientes
de terror e de crime, perseguições sádicas,
sequestros, raptos, vinganças, fantasmas, expiações
de crimes cometidos pelos antepassados,
reconhecimentos inesperados…), documentado por: |
- Anátema (1851),
- Mistérios de Lisboa – 3 vols.(1854),
- Livro Negro do Padre Dinis (1855).
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Romance de costumes ou novela satírica (pintura de
costumes), de que são exemplos: |
- Cenas Contemporâneas (1855),
- A Filha do Arcediago (1855),
- A Neta do Arcediago (1856),
- O Que Fazem Mulheres (1858),
- Cenas da Foz (1861),
- Coração, Cabeça, Estômago (1862),
-
Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado
(1863),
- Amor de Salvação (1864),
- A Queda dum Anjo (1866).
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Romance histórico (desenvolve-se em volta de
personalidades ou acontecimentos históricos),
ilustrado por:
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- O Judeu (1866),
- O Regicida (1874),
- A Filha do Regicida (1875),
- A Caveira do Mártir (1875),
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Romance passional (com forte intensidade dramática –
paixões exacerbadas, mulheres fatais, amores
contrariados, reclusões em conventos, mortes,
assassinatos, traições, abandonos, perseguições),
documentado por: |
- Onde está a Felicidade? (1856),
- Um Homem de Brios (1857),
- Carlota Ângela (1858),
- O Romance de um Homem Rico (1861),
- O Bem e o Mal
(1863),
- Memórias de Guilherme do Amaral (1863),
- Amor de Perdição
(1862) – a sua obra-prima,
- A Sereia (1865),
- A Bruxa de Monte Córdova (1867),
- A Doida do Candal (1867),
- O Retrato de Ricardina (1868),
- Os Brilhantes do Brasileiro (1869).
- A Mulher Fatal (1870).
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Romance realista (com características realistas e
até naturalistas - descrições pormenorizadas,
menção das torpezas e podres sociais, realismo da
vida rural, explicação das taras pelas leis da
hereditariedade…), com destaque para: |
- Novelas do Minho (1875/77),
- Eusébio Macário (1879),
- A Corja (1880),
- Brasileira de Prazins
(1883).
Publicado
por
Joaquim Matias da Silva
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